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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Confiança e decepção

Eu participei da FeNEA ativamente por 3 anos: de setembro de 2006 a agosto de 2009. A primeira coisa que aprendi foi a ter confiança. Não sei precisar porque.

A gente dormia todos juntos, em colchonetes, em salas de aula, em sítios, em casas de amigos. Quando entrei, alguns já se conheciam há um tempo, outros, a poucos Conselhos atrás. Mas, em geral, éramos todos desconhecidos. O que não parecia, porque depois de um Conselho, todos pareciam amigos para sempre, até alguém desaparecer dessa vida, seja por causa dos estudos, da família de sangue, da vida lá fora. Aos que persistiam nessa vida de estudante-militante-apaixonado sem rumo, uma família era formada. Para alguns em especial, a amizade dura bem até hoje.

Na época, eu morava em Campinas. Havia, regionalmente, um Conselho a cada 3 meses. Depois que fui no primeiro, não é forçoso dizer que mal via a hora de ir ao próximo. Porque me apaixonei por isso tudo. Pelas discussões, pelas pessoas. O que é, de fato, algo difícil para eu reconhecer. Gostava muito mais de encontrar esses amigos militantes do que minha família de sangue. Embora me conhecessem há pouco tempo, eles faziam a diferença na minha vida. Logo, entendi quando alguns chamavam outras de mãe e outros de pai. E, logo, entendi a confiança que pairava no ar. Coisa que não se explica nem hoje, há um tempo fora desse mundo.

E, com a confiança – que se resume em confiança nas pessoas, nas decisões, nas ações – vinha junto a ética. Éramos todos éticos, modéstia a parte. Claro, alguns tinham uma visão muito diferente dos outros, e tomavam decisões desastrosas. Mas, não via nisso um desvio de ética. Não vou saber explicar porque, mas no meu coração sabia que não existia nada errado, apenas diferente. A essência da Federação continuava presente em todos.

Com isso, achava que os dinossauros da época eram todos confiáveis, porque todos passaram por esta experiência e duraram bem mais que 2 ou 3 Conselhos. Quando conhecia algum das antigas, eu já sabia seu passado, mesmo sem conhecer pessoalmente até então.

Eu pensava assim até hoje. Nem todos que tiveram a mesma experiência, passaram tanto tempo dentro da casinha, tiveram a mesma percepção que eu e mais outros que duraram tanto quanto. Talvez eu sempre estivesse errada nesse lance de ética, mas com certeza sempre estive errada na percepção igual a todos. Com alguma certeza, sei que tem gente que entrou nesse mundo paralelo para se dar bem no que houvesse. Disputa clara de poder. Hierarquia, patriarcado, tinha gente preocupada com essas coisas mesquinhas mas que, infelizmente, fazem sentido para alguns.

Não sei precisar o que alguém que passou tanto tempo na Federação vê na disputa de poder, em ser anti-ético, em desprezar opiniões, agora no mundo profissional. Porque, pra mim, não faz sentido quem passou pela casinha ser algo que nunca demos bola e nunca incentivamos. Pelo contrário: provávamos que com ética e confiança irrestrita as ações davam certo (ou, na maioria da vezes).

Enfim, o longo texto é só pra extravasar mais uma decepção. Espero não ter mais envolvendo as pessoas da casinha que conheci a um tempo atrás. Ou, então, espero estar mais atenta e menos romântica. O mundo aqui fora, de fato, é muito mais real que se imagina.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Taubaté, de novo

Voltei à cidade, depois de 2 anos.
Na última vez, o coração voltou apertado. De apreensão, de raiva, de mudança negativa.
Dessa vez, voltou cheio de esperança.
Não vou conseguir explicar porquê.
Mas acho que consegui entender porque o pessoal "dinossauro" de EREA/ENEA continua indo.
Porque a sensação de rever os amigos, ficar totalmente à toa, ajudar nas horas que se precisa, fez todo o sentido.
Não imaginava ser chamada de dinossaura.
Não imaginava causar comoção na chegada do EREA Taubaté.
Não imaginava que chegar ao Encontro com mais duas gerações de diretores regionais significaria tanto.
Não imaginava causar na plenária, embora fosse um desejo antigo.
Não imaginava chorar ao abraçar a diretora regional atual.
[E, não, não era porque estava viajando. Aconteceria, de uma forma ou outra.]
Não imaginava ter saudades.
Consegui me divertir muito, mesmo sem ter função.
Ajudei no que podia, desencanei de outras tantas coisas.
Não vi nenhuma atividade.
Aliás, minha única atividade, junto com amigos também dinossauros, foi beber e fumar.
O coração voltou cheio de esperança.
Uma Federação que vi fadada ao fracasso, incrivelmente, se renova.
E nos surpreende.
Claro que é uma avaliação muito superficial, racionalmente falando.
Mas, em termos de Federação, o coração e a energia contam muito mais.
E é nisso que sempre me baseei ao analisar esse mundo, que me faz tanta falta aqui fora.
No fim, não me importei com a mudança da geração.
Uma geração que não fuma. Nada.
Que prefere funk a Chico Science.
Que deixa Comorg entrar no bar.
Porque aceitei as mudanças. Fiz parte da virada.
E vi que isso pouco importa.
Porque o espírito continua o mesmo, no fundo.
Foi bom ter ido a Taubaté.
E eu mordi a língua. Porque, apesar de preferir Conselhos a Encontros, esses últimos ainda valem muito a pena.
[Mas, talvez, só com amigos das antigas pra poder ficar comparando os tempos.]

domingo, 10 de abril de 2011

Do Morumbi

[Da série "homenagens". Porque, parafraseando minha mãe, "sou da escrita, e não da fala". E porque deu saudades imensas...]

"Ela nunca teve nada a ver comigo. Na primeira vez que a vi, eu tava com a camiseta com o nome do bisavô dela, e alguém me disse: “Você sabe que a bisneta desse cara aí tá presente nesse Conselho, né?”. Não acreditei, obviamente, e nem dei bola pra conhecer também. Era fã do cara, e não dela. Isso foi em setembro de 2006, em Campinas.

Demoramos mais de 6 meses pra trocar um diálogo ao vivo. O tempo foi menor pela internet, quando ela elogiou um texto que fiz sobre Reforma Urbana, 2 meses depois de tê-la conhecido ao vivo. Eu não era nada, ela já era respeitada e tinha opinião forte sobre muita coisa, sem medo de dar a cara a tapa. Estivesse certa ou errada. E acho que foi esse jeito meio arrogante que me conquistou, até porque era a única coisa em comum entre nós, até então.

Com o tempo, aquela pessoa que não dava muita bola pro povo mais novo, principalmente pros tímidos como eu, foi me conquistando. Começamos a falar de música, mesmo que bem de leve. Começamos a falar de Arquitetura, a beber junto com os amigos dela (que viriam a ser parte da minha família, mais tarde). No mesmo dia que falamos sobre música, ela me convidou pra ver o acervo de projeto do bisavô dela. Foi ao fim desse mesmo dia que eu, chapada, dizia a ela que tudo bem ir numa balada coberta de purpurina e com o cabelo todo destrambelhado.

E assim foi. A arrogância foi perdendo campo, e me toquei que ela transmitia uma energia muito boa. Vê-la nos Conselhos me fazia muito bem, pela força de vontade, pela vontade de mudar muita coisa, pelo amor e pela paixão de tudo aquilo. Via nela uma pessoa que dava de tudo pela causa, e foi isso que me fez uma grande diferença. Mesmo que na hora eu não soubesse captar exatamente o que era.

Foi passando o tempo, a sintonia foi afinando. Não dá pra esquecer quando ela me disse pra eu não sumir, quando eu tava prestes a me formar, em 2007. Não dá pra esquecer a alegria dela quando falei que ia trancar o curso pra assumir uma Diretoria. Não dá pra esquecer o orgulho que tive quando ela me disse que continuava nisso porque eu resolvi continuar também. Tudo isso foi me enchendo de orgulho e de medo de desapontar uma das pessoas que eu tinha como referência. Uma menina que é 2 anos mais nova que eu, mas que tem uma maturidade muito superior que a minha.

A gente continuava a ter pouca coisa em comum, mesmo assim. Mas desenvolvemos uma amizade e cumplicidade que eu nunca teria com quem conhecia a pouco tempo e via a cada 2 meses.

Um famoso ritual, num distante 2007, veio reafirmar esta relação, e ela se consolidou como uma das melhores pessoas que tenho na vida. Foi aí que eu servi de apoio pra ela, foi aí que ficou reafirmado que eu teria com quem contar pra vida inteira, foi aí que firmamos um pacto de amizade fraterna. Aí que ela virou a pessoa para repartir alegrias e tristezas, de chorar junto, de sentir as mágoas da mesma forma.

Virou a pessoa que me dá bronca, que sabe o jeito que eu sou e sabe o que eu preciso ouvir pra desabar em choro. E sabe que isso me faz bem, mesmo que eu pareça sofrer muito na hora. A pessoa que me diz que, apesar de tudo, vai dar tudo certo. A pessoa que cuida de mim e que me defende, estando eu certa ou errada. A pessoa que às vezes esquece que eu existo, mas que sempre que precisa sabe que vou estar aqui, de braços abertos. A pessoa que às vezes eu esqueço que existe, porque quando me lembro dela é que eu noto o tanto que ela já fez por mim. E o quanto a saudade dela me aperta o coração.

Já faz cinco anos que nos conhecemos. De uns tempos pra cá, nos vemos uma vez por ano, quando muito. Mas, quando a encontro, parece que nos vimos ontem. Pode parecer o clichê mais idiota para amizades, mas não escreveria se não fosse verdade. Só espero que ela saiba que, mesmo me dizendo um monte de coisas totalmente bêbada, e mesmo que eu nunca consiga retribuir publicamente os elogios, o carinho, a atenção e o amor, que ela saiba que a reciprocidade existe, a admiração é forte e o amor é grande. Do tipo que, mesmo se eu não fosse tímida, não teria palavras pra dizer."

domingo, 23 de maio de 2010

Encontros

A viagem pra Santos, ontem, me fez relembrar os Encontros de Arquitetura.
Alguns outros fatores ajudaram a relembrar mais deles.

Na semana passada, pegando carona com a chefe até Taboão, falávamos sobre a diferença absurda do clima entre Embu e São Paulo [Embu é muito mais fria que SP, de modo que saio encapotada numa amena capital pra ainda assim passar frio por lá]. Comentei que, pelo menos pra tomar cerveja o frio não atrapalhava, já que no ENEA Floripa fazia cerca de 10 graus toda tarde/noite e nem por isso deixava de me embebedar. A chefe comentou que no único Encontro que ela foi, em Porto Alegre, era a mesma coisa, e falamos um pouco mais sobre Encontros em geral.

Ontem, em Santos, na companhia dela e mais duas amigas, passamos em frente ao lugar do EREA Santos 2001, e uma das amigas ficou falando dos perrengues daquele encontro. Um tempo depois, foi minha vez de comentar dos perrengues do encontro de 2006, ao passarmos em frente ao quartel general. A outra amiga complementou dizendo que aquele foi o lugar onde havia torturas durante a ditadura.

Rever Santos me foi especial porque foi o lugar do meu primeiro (e, erroneamente pensado como último) encontro. Foi impossível não se lembrar das bebedeiras, das festas, dos amigos....de tudo que viria após esse de Santos. Depois de Santos foram mais 10 encontros pelo país afora. Cada um especial, mesmo alguns sendo bem ruins. De 2006 até ano passado, fui a todos do estado de SP, quebrando a rotina nesse ano [não só por causa da Virada Cultural, mas também por não estar mais no clima de Encontro - já que ano passado deixei a Virada de lado e fui pro Encontro em Poços, o que na época me valeu bem mais a pena].

E, olhando as fotos e as notícias do EREA Ribeirão desse ano, acho que fiz bem. As coisas mudaram sensivelmente, e acho que aproveitei muito bem meu tempo. Não sei o que faria num Encontro sem ter uma função e sem conhecer mais tanta gente. Mas, ainda hoje, me sinto orgulhosa de ser, muito indiretamente, uns 10% responsável pelo Encontro em Taubaté ano que vem [pilhado originalmente por um dos meus afilhados].

Vamos ver se até Uberlândia meu espírito fique melhor e eu consiga descansar bem nas férias que terei de Embu.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Aniversário

Ao contrário do ano passado, esse ano tive muito o que pensar. Foi um ano de convivência em São Paulo, de emprego fixo, de muitas emoções, de muita virada. Não teve nenhum show no dia anterior, mas teve uma espécie de open-house muita boa em casa! Mesmo que algumas pessoas importantes na vida não tenham ido, foi muito bacana! Um amigo do tempo do colegial, a maioria dos sócios, meu braço-direito e o pessoal mais "velho" da "família" apareceram em casa, e, nesse exato momento, mesmo eu bêbada tendo de acordar daqui a quatro horas, quero registrar o carinho não só dos queridos que vieram em casa numa terça-feira chuvosa e fria, tanto àqueles que me ligaram e me mandaram mensagens....geralmente eu já fico muito feliz quando minha avó de sangue me liga, pois é sempre a primeira a me desejar os parabéns. Mas quando amigos fazem questão de te ligar ou de mandar coisas por escrito....e ainda outros que aparecem em casa, conversando e contando histórias da vida...Nesse momento fico extremamente feliz por todos que conheço. Fico feliz pelos amigos e pela família que me permitiram ter e fazer parte. E só resta dizer o quanto tenho carinho por todos eles...

Puta aniversário bom! Que seja assim por um bom tempo!

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa

Desde 2006, eu passava a páscoa longe da família de sangue. O EREA da SP sempre coincidia com esse feriado. Além dos problemas familiares, esse foi mais um motivo pra ficar longe deles. Lembro que em 2007 meu aniversário coincidiu com a páscoa e com o EREA, em São Carlos. A delegação unicampense até comprou bolo e comemoramos meu aniversário no exato dia 06, na festa da noite. Ganhei muita cerveja dos amigos, hehe! Foi bem surreal comemorar os 24 anos num Encontro...

Esse ano, que me estabeleci na capital e finalmente poderia passar esse dia com a família, são eles que resolvem viajar ou ter outros compromissos. Minha irmã em Goiânia, minha mãe no interior paulista, meu pai trabalhando até de domingo. Vai ser a páscoa mais solitária que já tive (já que não fui pra casa dos meus parentes rio-pedrenses, como eu costumava fazer quando tava em Campinas). Mas, de certa forma, fui eu que iniciei isso, quando toda páscoa eu dizia que tinha de ficar em Campinas fazendo trabalhos ou viajar. Meus pais e irmãos se acostumaram a ficar longe de mim e, de certa forma, eu deles.

Mas não deixa de ser esquisito passar a páscoa em casa, sozinha. Nem é ruim, só esquisito. Ainda mais pra alguém que não é cristã, mas de família tradicionalmente católica.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Família e energia

A festinha na casa do padrinho, nesse sábado, foi meio mágica. Por diversos motivos.

Talvez porque tinha muita gente querida junto. Várias gerações no mesmo lugar, conversando animadamente sobre a vida, sobre muita coisa. Umas seis gerações de diretores regionais no mesmo lugar [de 2001 a 2009 - eu era a mais nova, hehe], e isso não é pouca coisa, não. Porque no fim, a afinidade era muita, mesmo que poucos tenham acompanhado de perto o trabalho um do outro. Não falamos de trabalho da federação, não falamos de turnos e assuntos estudantis. Não precisou disso para continuarmos sendo próximos. Praticamente a mesma sensação de quando encontrei minha mãe, em Campinas, em outubro passado.

Talvez porque a vida de adulto me sufoca de um jeito que a vida parece não ter mais espaço para carinho, abraços, conversas boas. E quando surge a oportunidade de se reviver isso com a família do coração, a sensação é maravilhosa. A saudade fica mais latente, passo a sofrer mais com isso. Uma dor boa de se sentir, mas difícil de explicar.

Talvez porque o finzinho de festa foi espetacular. Uma volta no tempo tão boa, com todos se divertindo muito. Foi nessa parte que a energia ficou estranhamente muito boa, e muito forte. Foi nessa parte que todos nós sentimos a mesma coisa, como se fosse a Iniciação num Conselho de verdade. E, no fim, a pegada era a mesma. Foi depois disso que a conversa com a madrinha me fez pensar em muita coisa. Me fez ver a falta que me faz ficar no meu canto, pensando no que tinha acabado de acontecer. Pensando no que seria da vida. Pensando que aquele bando de maluco era nada menos que pequenos idealistas pensando no mesmo.

Não sei se só eu senti isso, mas pra mim a festinha foi muito mais do que a mera comemoração em torno da compra de um computador. Foi a certeza de que, por mais distantes que a gente fique a cada dia, fruto da vida nova de cada um, a amizade com eles fica pra sempre no coração. E não importa quanto tempo ficamos sem nos ver, sem nos falar. Basta algumas horas junto que parece que nos vimos ontem mesmo. Parece que no mesmo dia dormimos na mesma sala de aula muitas vezes suja e desajeitada, no chão ou no colchão alheio, e acordamos animados pra bater papo.

Eu tinha considerado tirar esse par de colares que carrego desde 2007. Acho que, depois disso, os colares vão ficar comigo por mais um bom tempo. E pensar que um início insólito, na semana mais fria de Campinas em 2006, que tinha tudo pra me fazer sair desse mundo o mais rápido possível, me proporciona tanta coisa boa ainda hoje...

No fim, só resta agradecer a tanta gente. A uma em particular.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Parênteses

[post chato, mas foi essencial escrever sobre isso nessa hora. a saudades bateu forte, de novo.]

Passei o carnaval com uns amigos de um amigo meu, que juntos fazem parte de um movimento de reconstrução de cidades devastadas por acidente naturais. Resumidamente falando, é isso, mas tem muito mais, que pode ser pesquisado aqui, por exemplo.

Quando tava pra sair da FeNEA, eu já sabia dese movimento, sem dar a devida atenção. Até porque, na época, minha cabeça tava cheia de muitas outras preocupações. E vi alguns amigos feneanos e outros da vida se enveredarem por esse caminho, que tem inúmeras semelhanças com o que tentávamos fazer nos Encontros e Conselhos da vida. Quando pensávamos que podíamos mudar o mundo. Por ser um movimento relativamente novo, é possível que esteja dando mais certo do que a Federação. E espero que se conserve bem assim até alcançar os objetivos.

O fato é que o clima, as conversas, a admiração e a curiosidade de quem era de fora do movimento, a dinâmica antes de pegarmos bambu, a vontade de mudar o mundo me deu uma saudade absurda da Federação. Acho que foi o fator primordial que me fez ter essa viagem como uma das melhores. Porque, no fim, ela me trouxe lembranças muito boas iguais as de algum CoREA ou CoNEA bom que eu tenha ido. Quando todo mundo tava na mesma pegada. Quando havia respeito, choros, abraços e saudades infinitas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Fumantes e afinidades

Comecei a fumar em 2002, logo que fui pra Campinas. Meio tarde pra adquirir um novo vício, mas a família de sangue não dava trégua, e eu não tinha com quem desabafar. Apelei pra bebida e pro cigarro. Hoje, passados quase 8 anos, consigo maneirar na bebida. Já o cigarro vai demorar mais um tempo pra pensar em parar, ainda mais com as tensões da nova vida.

Mas não era sobre isso que queria falar. Eu nunca tive muitos amigos fumantes. Na verdade, minha turma original de faculdade era bem saudável - fora os moleques, que bebiam absurdo e que eu sempre acompanhei bem. A turma adotada, um ano mais nova que a minha, já era bem mais de bebidas. Mas o cigarro continuava de fora, exceto em raras exceções de bebedeira excessiva dos bixos, que me pediam um cigarro atrás do outro. Era com essa turma mais nova, mais especificamente três pessoas, que acabava me dando muito bem.

Um dia, em Embu, ficamos falando sobre fumantes em geral, e alguém me disse que os fumantes tem um pensamento parecido, ou que conseguem se entender melhor. Nunca tinha pensado muito nisso, até reparar em todos os amigos que tenho.

E, de certa forma, faz sentido. Da família de coração, a maioria são fumantes. Em maior ou menor grau. Já com os três da turma mais nova, que mais me filavam cigarro, são os que mantém o sonho de um escritório em conjunto. Nem preciso dizer que a afinidade é grande, mesmo que nenhum deles tenha mantido o hábito.

Há exceções, mesmo que tardias. Nesse fim de semana em Mococa, eu continuava sendo a única fumante da turma original. Tivemos altos e baixos por uns sete anos, mas continuamos bem unidos. Mesmo todo mundo muito mais saudável que eu.

Mas é com os sócios e com a família de coração que, definitivamente, me sinto em casa. Tendo a certeza de que qualquer mal entendido, caso exista, vai ser resolvido ou esquecido em pouquíssimo tempo. Tendo a certeza de que não vai ter rancor guardado por qualquer brincadeira mal-entendida.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Família

Gosto de encontrar conhecidos, seja em ocasiões especiais ou não.
A maioria deles eu conheço relativamente bem. Mais por causa do passado gravado em emails distantes e por conversas com amigos em comum, do que por conversas comigo mesmo.
Uma parte deles é da minha família, embora não saibam disso.
Até porque eu continuo na minha timidez e nunca consigo falar mais do que um "oi" para eles.
Alguns devolvem a cordialidade e me incluem na conversa. Me dão bons abraços, como se nos conhecêssemos a muito tempo.
Outros me ignoram de maneira suave.
Mas, mesmo assim, eles me são especiais. Muito. Gosto da simbologia de ter essa família.
E é sempre legal ficar ouvindo as conversas, ver como estão todos bem. E, mais que isso, ver que eles mantém a amizade entre eles depois de tanto tempo. É bom sentir que a energia é sempre muito boa entre eles, o que afeta positivamente o ambiente e as demais pessoas, que ficam de fora só olhando.
É bom ter gente assim na vida.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

São Luiz do Paraitinga

Nada mais normal do que se lembrar do ano que se passou nos últimos dias dele. Ficar horas lembrando como tudo aconteceu, das emoções, dos risos, alegrias, tristezas.

Como se não bastassem as lembranças, dessa vez o noticiário ajudou. Com uma notícia extremamente triste. As pessoas que tavam comigo na praia nunca imaginariam o que eu tava sentindo ao ver as imagens de São Luiz do Paraitinga inundada pelas águas do rio Paraitinga. Com todo seu patrimônio histórico sendo destruído daquele jeito.

Passei por dois momentos em SLP. Uns dos mais importantes na minha vida. Em agosto de 2008 e em abril de 2009. Não, não foi no famoso e tradicional carnaval . Foi por causa do movimento estudantil mesmo.

Ajudei a fazer um encontro de estudantes lá. Pesquisei o máximo da cidade pra ajudar nas atividades. Aprendi muito sobre a vida dos moradores de lá. Subi e desci as ladeiras infinitas vezes. Na maioria delas, bêbada, brincando com os amigos. Em outras vezes, pensando seriamente na articulação estudantil de um estado inteiro.

A cidade me serviu de amparo nas duas vezes que fui lá. Me viu chorar nas duas vezes. Me viu no começo de uma nostalgia que eu sentiria pra sempre, meses mais tarde.

E me doeu, muito, ver o noticiário do primeiro dia do ano. Me doeu mais ainda ver as manchetes dos jornais de hoje. Ver a cidade destruída, depois de ter acolhido tanta gente no EREA do ano passado, depois de ver tanta gente aprendendo de verdade as características da cidade.

Acho que tenho um carinho maior por SLP do que por Piracicaba, minha cidade natal.

















Na época do EREA 2009 e no começo desse ano.













ps.: como ajudar:

Já existe a comunidade do Oasis para ajudar SLP. Só entrar aqui e se cadastrar. Lá também tem os demais meios de ajudar, que tô colocando aqui.

Lista de necessidade:

Água potável, leite em pó, alimentos não pereciveis, velas, lanternas, roupas, sapatos, fraudas para bebê e geriátricas, material de limpeza, sabonete, pasta e escovade dente, colchões, roupas de cama mesa e banho, açúcar e transporte.

Locais de ajuda:

São Paulo:
Rua Bernardino de Campos, 1624 Campo Belo – SP

É o endereço da loja Rafting Brasil, que está ajudando localmente também - http://raftingbrasil.com

Taubaté:
SESI -Neste domingo o funcionamento é das 8h e às 18h. De segunda à sexta as doações podem ser feitas até às 20h30. O Sesi fica na Avenida Voluntário Benedito Sérgio, 710, Estiva. O telefone é 3633-4699;

- Plantão da delegacia da JK – Rua Juscelino Kubitschek de Oliveira, 260;

- Rua Marquês de Rabicó, 33 – Gurilândia;
- Rua José Dantas, 266 – Parque Aeroporto – rua da igreja;
- Rua Monsenhor Miguel Martins, 361 – Vila Marli;
- Padre Faria Fialho, 315 – Jd Maria Augusta;
- Batalhão da PM – avenida Independência;

São José dos Campos:
1ª Igreja Batista – Rua Salvador Piorino, 6, Jardim Carlota. Das 8 às 17 horas. Fecha para almoço. Informações: 3637-2024;

Ubatuba:
Comando de Policiamento do Interior – I (CPI-I) da Polícia Militar

Piracicaba:
Comando de policiamento do Interior - IX (CPI - 9) da Policia Militar

Pindamonhangaba:
Na sede da OAB, a entidade está recebendo alimentos não perecíveis e na Empresa de Ônibus Viva Pinda, estão sendo levados objetos de uso pessoal, principalmente roupas e calçados

Todos os dias, um caminhão está saindo de Pindamonhangaba com destino a São Luiz levando as doações conseguidas nos postos de arrecadação da cidade. No bairro Ouro Verde, o posto de recebimento está instalado no Bar Epa, Rua Ministro Rodrigues Alckmin, acesso da Avenida Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Polícia Militar do Estado de São Paulo:
- Cias, Batalhões, Destacamentos e Quartéis. (é necessário que os alimentos estejam bem acondicionados em caixa fechada). Alguns policiais militares não estão sabendo de nada dessa ação, convém pesquisar o local da sede mais próximo de vc pelo site da Polícia Militar

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sobre a população e o poder público

A Conferência da Cidade foi ontem, sábado. Escrevi errado no post anterior. Pra quem não sabe o que é, é o momento que se reúne lideranças de tudo quanto é segmento [ONGs, movimentos populares, entidades de classe etc] para ajudarem a construir uma política urbana e territorial mais condizente com a realidade da cidade. E ajudar a construir é propor ações, métodos e soluções em conjunto. Não é o momento de cobranças, de nenhum dos dois lados.

Foi a primeira vez que participei de fato de uma Conferência, e pelo lado do governo. Começou de manhã, às 8 horas, com o credenciamento do pessoal que ia participar dos debates. Nesse ano houve 4 mesas de debates, e o pessoal se increvia logo no início em uma delas. Às 11 horas, a abertura oficial, com o prefeito, um vereador e o secretário de Desenvolvimento Urbano falando. A parte mais desnecessária foi quando descobriram que haviam mais políticos com cargo na platéia e chamaram eles pra dar uma palavra também. Desnecessário porque cada um tratou de falar das eleições do ano que vem, exaltando o nome de Dilma Rousseff e o governo Lula (o prefeito de Embu é do PT, assim como a maioria da prefeitura). E se "esqueceram" da real intenção daquele momento.

Depois dos discursos e da apresentação do tema que seria debatido, almoço reforçado. Às 15 horas começou de fato as discussões, uma em cada sala de aula (o evento foi numa escola do Jardim Santo Eduardo). Não foi exatamente uma surpresa, até porque indo todo dia pras favelas de Embu eu já tinha sacado que o povo (em geral) manda muito bem, tanto no conhecimento dos problemas quanto na solução deles. Às vezes manda melhor que nós, pessoas com segundo grau completo. Mas nos debates eles deram soluções tranquilas, sem polêmicas e de acordo com o que todo mundo queria. A parte esquisita pra mim (que estava relatando um dos debates) foi um dos moderadores - do poder público, como todos os moderadores e relatores da Conferência - dar idéias e sugestões e argumentando a favor da sua proposta, esperando um respaldo da população, ao invés de manter uma posição neutra e só dar uma ajuda na parte de conceituação, ajudando a esclarecer o que o povo deveria deliberar. A "sorte" é que as propostas do cara não batiam de frente com o que a população queria.

Às 17 horas, apresentação dos debates e das propostas. Foi a parte mais divertida, cada um defendendo tua proposta e angariando muitos aplausos. A parte mais tensa, claro, foi a eleição dos delegados para a Conferência Estadual, a ser realizada ano que vem. Mas que no fim tudo se resolveu entre todos os interessados e acabou tudo bem. O fim só veio às 19 horas, com um ar de cansaço em todos os que estavam organizando, já que ficávamos não só atentos nas discussões, mas também em toda a infra e no horário.

Acabamos emendando num bar em Embu mesmo, pra comemorar o sucesso da Conferência (afinal, ela aconteceu e sem maiores problemas), e foi inevitável, para mim e outra amiga, que trabalha na secretaria de Desenvolvimento Urbano e também ex-diretora da FeNEA, fazer os comparativos com algum Conselho da Federação. Passamos a semana inteira, na preparação da Conferência, conversando sobre as muitas semelhanças. De fato, quando estávamos discutindo sobre o acordo de convivência no início de cada mesa de debate, era bem claro que a gente tava pensando na mesma coisa. E também quando pensávamos na infra da escola, comparando com algum Encontro que tivéssemos feito parte.

O legal, também, foi conversar com o secretário de Desenvolvimento Urbano e o Secretário Adjunto, que fizeram parte da executiva dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo antes dela virar FeNEA. Ambos foram da PUCC, assim como minha amiga. E numa hora emendamos numa conversa sobre os rumos que tudo levou, como era no início e como é agora. Soube de muitas histórias da década de 1980, complementadas com histórias de 2004 e de 2009. Pra mim, que adoro histórias, foi incrível. E foi legal perceber que, mesmo depois de mais de 20 anos, a Federação mudou muito pouco, na questão de sua essência. Porque entre nós estávamos dizendo a mesma língua, pensando as mesmas coisas, sabendo dos mesmo problemas.

Acabei chegando em casa à meia-noite, cansada demais, mas feliz por ter trabalhado sábado o dia inteiro, sem pressão e sem o pensamento de que deveria ir pra lá, de manhã, por obrigação. Feliz de ter participado disso tudo. E feliz por ter mais coisas a pensar pro futuro.


Reinaldo, Daniel, Zé Ovídio, Lilian, Luzia, Joana, Alex, eu, Deise.
Embaixo: Tatiana e Romel
Equipe organizadora da 4ª Conferência da Cidade.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

2009

Mesmo faltando pouco menos de um mês pra acabar o ano, vou me antecipar aqui nesse breve resumo da vida em 2009. Só porque hoje, no caminho pra casa, me lembrei de tudo que foi acontecendo no ano.

Me despedi de vez de Campinas.
Morei com os pais, em São Paulo.
Briguei com meu irmão. Reatei amizade com minha irmã.
Fiquei desempregada até março.
Tive um chefe que adorava beber e fumar comigo.
Meus pais se separaram e voltaram. Segurei uma barra enorme.
Dei sorte de ter um padrinho compreensivo.
Dei sorte de poder almoçar toda semana com a madrinha.
Fui dispensada do trampo. Mais um mês desempregada.
Nesse meio tempo, São Luiz do Paraitinga e Poços de Caldas.
Voltei de Curitiba com um emprego em Embu.
Ganhei menção honrosa num concurso (eu e mais os três sócios).
Me mudei pro centro da cidade.
Conheci, de início, a periferia de Embu. E foquei nela até agora.
Aprendi a fazer orçamentos.
Fui a três Encontros e a quatro Conselhos.
Parei de viajar pelo Brasil.
Saí da FeNEA de vez.
Ganhei uma mãe.
Chorei inúmeras vezes.
Consegui conciliar noites de bebedeira com o acordar cedo.
Me encontrei muitas vezes com os sócios.
Apanhei da burocracia do poder público.
Perdi muito contato com a turma que entrou comigo na faculdade.
Reatei com meu irmão.
Comecei a sofrer de saudade, constantemente.
Discuti seriamente com moradores da favela.
Aprendi um pouco mais sobre obras.
Ganhei a amizade dos mestres-de-obra.
Fui reconhecida por pessoas importantes do trampo.
Recebi inúmeras broncas da chefe por coisas obviamente erradas.
Parei de beber descontroladamente.
Comecei a fumar compulsivamente.

E é isso. Não tá exatamente na ordem que aconteceu, algumas coisas se entrelaçam. E tenho certeza de que vão acontecer mais coisas até o fim do ano, mas também tenho certeza de que vou postar sobre, mais tarde (até porque vai ser impossível não contar sobre a experiência de ser relatora da Conferência das Cidades, a acontecer nesse domingo, e sobre a confraternização em Embu com o povo do trampo, daqui a duas semanas, que promete!)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

No meio de semana...

Quarta-feira. Reencontro com parte do povo da UNICAMP que está em São Paulo. Parecia que foi ontem que nos vimos. Muita conversa, muita risada, muita cerveja, alguma pinga. Nos encontramos e começamos a beber às 20h. Paramos, só porque o bar estava expulsando a gente, às 3h.

Acordar às 6:40 da manhã e ver a vista maravilhosa do Copan, 29º andar...não tem palavras pra expressar. Tirou todo o possível mal humor das poucas horas de sono em casa alheia.

Quinta-feira. Logo de manhã encontro a aniversariante do dia, durmo um pouco mais na van e sou convidada a ir numa bar da Vila Madalena para a festa. Fiquei o dia inteiro me preparando para uma outra bebedeira. Voltamos, de carona, lá pelas 17h, e fomos direto beber umas. Mais gente a conhecer, mais conversa, mais cerveja. Carona de volta pra casa, e cá estou escrevendo.

Nunca conversei tanto com a aniversariante quanto esses meses atrás, talvez por trabalharmos na mesma cidade. Embora ela tenha sido meu primeiríssimo contato na FeNEA e sempre estivesse a disposição pra ajudar, em tudo que fosse referente a isso. Embora estivesse sempre ligada nos meus passos e sempre pronta a me falar das inúmeras histórias que quase viram lendas, hoje em dia. Foi muito bom conhecer mais sobre ela, foi muito bom servir de companhia de copo enquanto não chegava ninguém. Foi muito bom andar na chuva com ela.

Parabéns, Jostok! E obrigada, por tudo até agora.

sábado, 21 de novembro de 2009

Encontros

Meu primeiro Encontro de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo foi em 2006. Um tanto tarde pra quem entrou na facul em 2002 e viu o pessoal se mobilizando pra levar mais gente no EREA (Encontro Regional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo) Campinas, em 2003, na mesma cidade que viveria por mais 5 anos. Mas tive três motivos pra isso demorar tanto:

- Sempre tive a impressão que não gostaria de Encontros.
- Toda vez que decidi ir em algum Encontro, peguei exame de projeto ou alguma outra matéria. Foi assim que perdi o ENEA (Encontro Nacional) Brasília 2004, o ENEA SP 2005 e o ENEA Recife em 2006.
- Nunca tive grana pra ir num Encontro, mesmo meu pai jurando que pagaria tudo pra mim (ele sempre curtiu que eu viajasse, seja lá para o que eu quisesse fazer. E eu sempre fui muito orgulhosa de não aceitar nada dele - orgulho que dura até hoje).

Mas sabia que, antes de sair da faculdade, deveria ir em algum Encontro, para ter a vivência, para saber como era, para poder ter uma vida acadêmica completa. Decidi ir no EREA Santos em 2006, depois de guardar alguma grana e abdicar da páscoa com a família de sangue. No penúltimo ano de curso, imaginando que no ano do TFG não iria pensar em mais nada senão em me formar. Não preciso dizer que, naquela época, mesmo fazendo parte do CACAU, fui pra Santos pelo turismo e pelo preço baixo de se dormir acampada. Foi um encontro péssimo, mas como não sou de ligar para conforto, achei tudo ótimo. Fiz amizades com pessoas que veria muito, nos próximos anos.

Porque em setembro desse mesmo ano de 2006, em Campinas, conheci um novo mundo e a real intenção de um encontro. Conheci os esforços, o perrengue de quem toma pra si a responsabilidade de realizar um. Conheci a razão e a história de muitos encontros. Conheci o porquê da necessidade de haver encontros sempre.

De 2006 pra cá, foram 11 Encontros. Em 2007, a 1 semana da primeira entrega do TFG, lá estava em São Carlos. Em julho do mesmo ano, 4 dias depois da entrega do exame do TFG, lá estava eu em Floripa. Depois disso, decidi trancar o curso, viver de viagens e ajudar os mais diversos Encontros que aconteciam pelo país, nos mais diversos lugares. Porque, se era pra ajudar um Encontro acontecer, não me conformei em ajudar só o estado de SP. De norte a sul (literalmente), conheci muitos lugares e, melhor que isso, conheci muitas pessoas que também me ajudaram muito nessa vida. Muito mais do que ajudei a elas.

E, de fato, a impressão se tornou verdade. Nunca gostei muito de Encontro, preferia muito mais os Conselhos. Porque sempre fui nerd e preferia trabalhar muito a somente me divertir (o trabalho todo me divertia muito, por incrível que pareça). Mas, pra quem diz que não gostava de Encontros, acho que esse número tá mais que suficiente (embora o número de Conselhos seja mais que o dobro do número de Encontros, mas isso fica pra alguma próxima postagem).

E pensei em escrever tudo isso depois de um dia inteiro no bar, com duas pessoas da família de coração, contando as inúmeras histórias de Encontros de anos atrás. A trégua durou pouco.

domingo, 15 de novembro de 2009

Assalto

Sexta-feira. Chego em casa pra mais de 20h, já sabendo que uma amiga querida estava na cidade. Nos encontramos no vale do Anhangabaú, e junto dela tinha outras pessoas que a tempo estava a fim de conhecer. Dinossauros, como os mais novos diriam. Amigos novos, que conversaram comigo como se nos conhecêssemos a um bom tempo.

Depois de algumas horas num bar aqui do lado de casa, e depois de eu servir de guia turístico ao povo recém-conhecido, fomos a outro bar, na Augusta. Que incrivelmente não estava cheio e nem estava fechando. Nesse meio tempo de "translado", uma das pessoas tinha de ir pra Campinas. A despedida foi calorosa. Legal demais conhecer mais alguém que mal sabia da minha existência e se despediu de mim tão bem.

Mais conversa, mais cerveja, mas o cansaço bateu forte e fomos embora. Uma das amigas ia dormir em casa, e foi no fim, a única testemunha da maior proeza da história da criminalidade paulistana.

Não é segredo que, quando volto bêbada pra casa, na madrugada mesmo, eu converso com alguns mendigos e trombadinhas da ladeira da Memória. Pra minha sorte, nunca aconteceu nada de mais, o que me faz pensar que tenho alguns amigos marginais por aí. E o que me faz pensar que vai ser assim pra sempre.

Mas essa madrugada, eu e minha amiga estávamos descendo a ladeira, bêbadas e conversando alto. Havia gente na rua, um bar estava aberto e a gente papeando alto. Eis que ouvimos alguma coisa atrás de nós. Era um moleque, de uns 12 anos, falando "Passa". A resposta natural da minha amiga foi "Pode passar!". Só depois de alguns minutos entendemos que ele queria meu celular, que estava no bolso. Eu dizia que não tinha nada, minha amiga também, gesticulando bastante com o celular na mão! Ele viu o celular no meu bolso e, resignada, só disse "Pode pegar!". Ele enfiou a mão no bolso, pegou (junto ao celular, tava minha carteirinha de estudante e um isqueiro, que ele pegou também) e, quando eu já tava conformada em comprar mais um celular, eis que ele me devolve! "Toma, não quero não!". Caímos, nós duas, na risada, e foi assim até chegar em casa (a 100m do "assalto"). Dormimos por causa da bebedeira, e de manhã ficamos imaginando porque raios ele não quis meu celular, e nem o celular da minha amiga, e nem a bolsa dela. Porque raios ele não quis levar nada.

Daí que hoje de tarde, depois do almoço e de um passeio na Galeria do Rock, fomos ao mesmo bar da noite anterior e ficamos bebendo a tarde inteira. Eu ficava olhando os trombadinhas da ladeira, imaginando se o moleque tava por lá. Acabei vendo um, que me lembrava muito o assaltante, e disse pra minha amiga: "Tá vendo aquele, de blusão, camisa azul por baixo e loiro? Foi ele, certeza!". E ela "Se ele vier pedir dinheiro pra gente, eu dou 1 real e tiro foto com ele". Tiro e queda. Ele veio, ela tirou foto com ele e disse algo do gênero "E não perturbe mais a gente a noite". No qual ele respondeu "Não, tia, eu não roubo não" e se foi, feliz de ter tirado uma foto e ganho uma conversa com duas meninas que ele tentou assaltar na noite anterior.

E eu juro que não é mentira, e juro que não entendi nada até agora. Só sei que meu celular tá aqui, são e salvo.

[Viu, mãe? Não tenho a mesma "sorte" que vc, hahaha!]

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Internet x saudades

Só pra dizer que, finalmente, consegui instalar a internet em casa.
Wireless e tudo mais.

E, com isso, veio o acesso a muita coisa que queria aqui em casa.

Às aulas de gaita.
Às radios online.
Às conversas com amigos sempre distantes.
Aos emails perdidos, esquecidos, recuperados e constantemente lidos.

E, inevitavelmente, passei a ter saudades absurda de muita coisa.
E passei a sofrer diariamente, quase compulsoriamente.
Não conheço mais alguém que goste de sofrer de saudades.

Acho que, definitivamente, não sou normal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Bar, de novo e sempre

Acho que não preciso dizer aqui que tenho uma outra família, além da de sangue. A maioria das referências familiares que aparecem aqui é sobre a família que acabei ganhando, a de coração. Explicar sobre todo esse processo e o tanto que eles significam pra mim já vai além da minha capacidade e seria, no fim, inútil. Não sei se alguém, além dos relacionados, entenderia.

Enfim, tudo isso pra dizer o quanto gostei de ficar no bar até ser expulsa, hoje de madrugada, junto com um dos meus parentes. Acho que a gente nunca tinha se conversado tanto quanto nessas horas, embora ele sempre estivesse por perto para me ajudar no que fosse.

E fazia um bom tempo que eu não fechava um bar.

Valeu Pedro. De coração.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sobre abraços

Eu não tenho uma memória muito boa, em nenhum sentido. Muitas vezes esqueço tanto coisas importantes que me dizem quanto as besteiras de cada dia. E não é maldade, é esquecimento mesmo. Na hora presto muita atenção e sei reconhecer o devido valor, mas às vezes não dura muito ou quase nada.

Mas uma coisa que eu sempre lembro são os abraços. Lembro exatamente cada abraço bacana que recebi. A data, o local e o motivo. Como por exemplo, no abril de 2007, em São Carlos; em Maceió, em janeiro de 2008. Em Campinas, em setembro de 2007, em fevereiro de 2008 e em agosto de 2009. Em Ribeirão Preto, em novembro de 2008; em Uberlândia, em setembro de 2007.

Uma vez, conversando com uma amiga em Campinas, ela me disse [enquanto me mostrava a coleção de crachás dela] que uma das melhores coisas que ela tinha aprendido foi abraçar os amigos. Ela conseguiu traduzir bem o que eu já tinha sacado a um certo tempo, mas nunca tinha parado pra pensar sobre.

O que me fez pensar que um abraço é a coisa mais íntima que duas pessoas podem ter. Porque é nele que vc tem a real medida da energia que se passa de uma pessoa a outra. É no abraço que vc sabe a essência de cada um. E é no abraço que vc tem certeza do quanto aquela pessoa vai te marcar pelo resto da vida, mesmo que a própria vida faça com que uma suma da vida da outra.

[texto escrito a um tempo já, mas deu vontade de colocar aqui.]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Quase normal

Continuo sem internet em casa. Depois de comprar um tênis de mais de 90 contos, vai demorar mais um mês pra eu ir atrás disso. E mais tempo ainda para comprar um botijão de gás pra poder cozinhar em casa. E ainda devo mais de 500 contos pro meu pai. Fora aluguel, condomínio, cervejas...o mês vai ter de render muito! Por enquanto vou quebrando galhos, minha especialidade nessa vida.

Às vezes o coração dá uma inquietada, mas é bom perceber que ele continua pulsando, mesmo que prioritariamente por coisas do passado. Principalmente porque eu gosto de sofrer e fico relendo lembranças desse passado, que estão prontas a serem doadas e se tornarem somente lembranças imateriais. Tá sendo realmente esquisito não pensar mais em turnos, não programar mais viagens pelo Brasil afora, ter fins de semanas tranqüilos e sem maiores preocupações além do que a vida adulta proporciona.

Quem me lê e entende o contexto talvez imagine como tá esse processo todo. Quem não sabe do que se trata (ou até sabe) e acha tudo isso uma pieguice sem tamanho, bom, eu nunca vou saber explicar. E mesmo se soubesse, nunca iriam entender. Talvez seja piegas mesmo e eu esteja fazendo tempestade em copo d’água.

De qualquer forma, pra preencher esse vazio, e seguindo conselhos da minha família (não a de sangue, a outra), vou voltar a estudar gaita, sonho antigo que ficou adormecido esse tempo todo. Assim que acabar de ler as tirinhas do Snoopy de 1983 a 1999.

E, depois da reunião nesse feriado, vamos retomar o escritório com um projeto bem simples pra outro concurso aí. E, depois desse concurso, mais outro, pro ano que vem. Nossa programação ficou bem intensa, de repente.

Ainda, na sexta dessa semana, finalmente consegui ver o Balé da Cidade de São Paulo, na companhia do padrinho, que sempre tem uma paciência de Jó pra me explicar tudo desse mundo tão novo e tão singular da Dança, que eu tô aprendendo a entender. E só valeu pela companhia dele mesmo, que não via há um tempo. Porque o balé mais me pareceu a versão dançarina do Dream Theater, sem muitas emoções e virtuosismo até dizer chega.

Apesar disso tudo, a vida tá boa e bem tranqüila. E tomando algum rumo, finalmente. Eu acho.

[Escrito às 22:16 do dia 07/09/09. Postado nessa data aí de baixo.]