quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pinga

Tenho tomado umas 5 doses de pinga toda noite que chego em casa.
De modo que, se vc me ligar às 21h, eu já vou estar levemente bêbada.
Creio que em uns 3 dias isso termina e logo volto à cerveja diária.

A sorte, minha e dos amigos, é que tô sem créditos nenhum pra ficar aporrinhando com mensagens via celular. O azar é ter internet e ficar pensando 10 vezes se devo mandar emails bonitos aos amigos.

E vai ficar assim até acabar a pinga.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Internet x saudades

Só pra dizer que, finalmente, consegui instalar a internet em casa.
Wireless e tudo mais.

E, com isso, veio o acesso a muita coisa que queria aqui em casa.

Às aulas de gaita.
Às radios online.
Às conversas com amigos sempre distantes.
Aos emails perdidos, esquecidos, recuperados e constantemente lidos.

E, inevitavelmente, passei a ter saudades absurda de muita coisa.
E passei a sofrer diariamente, quase compulsoriamente.
Não conheço mais alguém que goste de sofrer de saudades.

Acho que, definitivamente, não sou normal.

sábado, 7 de novembro de 2009

O bom e velho rock'n'roll

Esses dias, vasculhando a casa dos meus pais para levar mais tralhas pra minha casa, achei alguns artigos sobre música que há tempos deixei esquecido em algum canto. Como por exemplo os cartazes psicodélicos das bandas dos anos 60, que um amigo meu de Porto Alegre me mandou em 2004; o livro sobre Jefferson Airplane, escrito por Jeff Tamarkin - enviado diretamente dos EUA por um amigo virtual; o CD "The Notorious Byrd Brothers", dos Byrds, original e também importado dos EUA por um outro amigo virtual; um par de autógrafos do Jorma Kaukonen e do Jack Casady, que pedi a outro amigo me enviar da Califórnia pra cá; e os vários CDs de shows do Bob Dylan, cortesia de um amigo mineiro que agora tá lá na Europa, acompanhando o ídolo de perto. Tudo isso tá bem guardado lá em casa.

E lembrei do quanto eu ouvia e gostava de falar sobre música, sobre rock clássico, e do quanto ouvia bandas dessa época. Mas não bandas conhecidas. Passava longe de Led Zeppelin, Deep Purple e Rolling Stones [o que nunca significou que não gosto deles]. Preferia, e ainda prefiro, o rock dos anos 60, pendendo pro psicodélico e pro folk: Moby Grape, Grateful Dead, Jefferson Airplane [a melhor banda de rock, na minha modesta opinião], The Byrds [a segunda melhor - Beatles é "hours concours"], Buffalo Springfield, Hot Tuna etc etc. Dessas bandas conhecidas, preferia ouvir álbuns bem específicos, como o terceiro do Deep Purple (quando o vocalista era o Rod Evans), o "Their Satanic Majesties Request" dos Stones, "Revolver " e "Rubber Soul" dos meninos de Liverpool (que são, de longe, os meus preferidos deles).


Jefferson Airplane - Woodstock - 1969



The Byrds - em alguma emissora de TV - 1966


Hoje em dia tenho ouvido algumas coisas mais atuais - Arcade Fire, Kaiser Chiefs e Arctic Monkeys, pelo menos por enquanto. Meu ouvido ficou menos exigente e mais passível de mudanças, embora eu me emocione, mesmo, toda vez que ouço "I wasn't born to follow". O que não acontece com músicas atuais.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Bar, de novo e sempre

Acho que não preciso dizer aqui que tenho uma outra família, além da de sangue. A maioria das referências familiares que aparecem aqui é sobre a família que acabei ganhando, a de coração. Explicar sobre todo esse processo e o tanto que eles significam pra mim já vai além da minha capacidade e seria, no fim, inútil. Não sei se alguém, além dos relacionados, entenderia.

Enfim, tudo isso pra dizer o quanto gostei de ficar no bar até ser expulsa, hoje de madrugada, junto com um dos meus parentes. Acho que a gente nunca tinha se conversado tanto quanto nessas horas, embora ele sempre estivesse por perto para me ajudar no que fosse.

E fazia um bom tempo que eu não fechava um bar.

Valeu Pedro. De coração.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O trânsito e suas variáveis

Antes de ir pra Campinas, e um tempo depois que voltei de lá, morei perto do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, 17km do centro. Morava próximo à represa do Guarapiranga, dependendo sempre do transporte público caótico da cidade. Acho que conheci bem as mazelas da periferia da cidade.

Dentre muitos outros problemas, a distância de tudo era um dos fatores que me fazia ficar em Campinas por meses até voltar pra visitar os pais. Sair com os amigos, só se pudesse dormir na casa deles depois do bar, porque voltar pra casa era inconcebível – por causa dos ônibus que paravam de rodar à meia-noite, por causa da violência do bairro onde morava, por causa da distância. De modo que eu quase nunca saía de noite, e preferia ir aos bares de dia mesmo, pra voltar bêbada às 22h.

Quando voltei de Campinas, voltei também a morar com os pais, coisa que mudaria assim que tivesse um trampo bom e fixo pra poder me sustentar. De primeira, consegui um trabalho na Vila Madalena. Era uma hora e meia pra ir e pra voltar, pegando trânsito insuportável da marginal e ônibus muito, muito cheios. Era um martírio, mas o trabalho e a hora do almoço compensavam bem.

Saí de lá, e logo emendei no trampo em Embu. A vida ficou um pouco mais tranqüila, porque de casa pra Embu demorava menos de uma hora, mesmo pegando dois ônibus por dia pra ir e voltar. Conheci outra parte de São Paulo, e só aí reparei que morava quase na divisa entre São Paulo e Itapecerica da Serra, bem perto de Embu.

Às vezes me dava ao luxo de pegar um metrô pra andar uma estação, e foi nessa vida que percebi que a linha lilás do metrô não era tão inútil quanto eu pensava. Eu, que dizia que a linha ligava o nada ao lugar nenhum, tive de morder a língua, porque era muita gente, às sete da manhã, dependendo dela pra ir trabalhar em Santo Amaro, em Itapecerica, em Embu. A minha sorte é que esse monte de gente pegava o caminho oposto ao meu, logo eu não sofria mais com ônibus cheio nem com trânsito congestionado. O que eu nunca pensei que ia acontecer na minha vida paulistana.

Quando mudei pro Anhangabaú, a distância pra Embu aumentou consideravelmente, mas o tempo continuou aceitável. Do centro de uma cidade a outra são 40km, que faço em uma hora e vinte minutos, pegando dois ônibus. Sem trânsito nenhum na ida, um pouco mais carregado na volta, mas nada que faça alguém ficar nervoso – a não ser quando chove muito, como nessa segunda-feira. Novamente, peguei o contra-fluxo de tudo, e a vida no transporte continuou tranqüila.

O melhor de tudo é que, mesmo “longe” do trabalho – demorava mais pra percorrer 14km dentro de São Paulo do que 40km, passando por duas cidades – fiquei mais perto de tudo. Dos bares, da vida cultural, dos amigos. E realizei um sonho que alimentava desde criança. É bom demais sair prum bar na noite de uma quarta-feira e poder dormir em casa. Bom demais ver o vale do Anhangabaú da janela de casa. Bom demais ter o barulho do trânsito constante na orelha.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Turn! Turn! Turn!

"To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time to build up, a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones
A time to gather stones together

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time of war, a time of peace
A time of love, a time of hate
A time you may embrace
A time to refrain from embracing

To everything - turn, turn, turn
There is a season - turn, turn, turn
And a time for every purpose under heaven

A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time to love, a time to hate
A time of peace, I swear it's not too late!"


[A música acima foi baseada integralmente no livro do Eclesiastes - antigo testamento da Bíblia -, arranjada pela primeira vez por Pete Seeger, em 1959. A versão mais famosa, no entanto, é dos Byrds, rearranjada em 1965, fazendo parte do segundo álbum da banda. É a versão deles que aparece no filme Forrest Gump e no seriado Anos Incríveis.]

Pra aliviar um pouco a tensão no dia que recebi duas notícias igualmente tristes e pesadas, é a música que mais me lembrei para me mostrar os dois lados da vida, em vários aspectos. E na continuidade de tudo, apesar das inúmeras dificuldades.


p.s.: Abraço forte, mãe. Como o primeiro.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fim de semana

Sexta-feira. Cervejas à noite com amigos que a um bom tempo não via reunidos. Muita conversa, muita coincidência descoberta.

Sábado. Feira de quadrinhos, uma grana a menos na conta bancária. Companhia do padrinho, mostrando as melhores publicações da nona arte. Gaiman, Vaughan e Eisner presentes na modesta coleção. Jantar na casa dele, mais algumas cervejas e mais música boa descoberta.

Domingo. Pastel na Lorena com o irmão e namorada, filmes à tarde, quadrinhos de noite. Curtindo a casa com “novos” móveis.

Depois de uma semana de trampo intenso, percorrendo várias ruas de Embu, nada como um fim de semana tranqüilo pra descansar bem e se divertir ao mesmo tempo.

E, de fato, na sexta-feira a Augusta morre à uma da manhã. Mas, no sábado, ela sobrevive até umas quatro da madrugada.