De longe, o que mais me chamou minha atenção nessas férias foram os alberguistas. Tanto em Buenos Aires, Montevideo e Recife.
Confesso que não fico em albergue para procurar amizades. Quem me conhece sabe que não sou de fazer amigos nem de sair conversando por aí com qualquer um. Albergue pra mim é somente a única opção plausível de hospedagem em outra cidade. Enquanto hotéis e pousadas cobram 70, 100 reais por uma diária, em albergue sai por 35. O que ainda acho caro, porque multiplicando por 30 dias dá 1050 reais, muito mais que o aluguel e as contas que pago aqui em SP. Mesmo considerando que albergue/hotel/pousada é para pouco tempo.
Enfim, nas 3 cidades que me hospedei, a atitude dos alberguistas é exatamente a mesma. Muita gente viaja sozinho por aí, e quando chegam no albergue, ficam ansiosos e aflitos por fazerem amizades. Conversam qualquer besteira com o primeiro que vêem pela frente, o papo engrena. Na maioria das vezes, querem ser companhias de passeios. Tem medo de irem sozinhos. Tem uma necessidade inexplicável de terem alguém ao lado, mesmo que seja um completo desconhecido.
Quando eu dizia que eu estava sozinha em Recife, me chamavam de corajosa. Quando me viam sair do albergue sem companhia e sem rumo, me viam com desconfiança e um pouco de escárnio (senti, várias vezes, o olhar de pessoas me julgando como antipática). Poucas vezes conversei com o restante dos hóspedes, e quando tentei, me frustrei. Conversas rasas, muito preconceito.
Nãi vi ninguém se arriscar sozinho. Pelo contrário, tanto em Buenos Aires quanto em Montevideo e Recife vi pessoas que não se conheciam trocar duas frases (algo do tipo: "Você tá indo pra tal lugar? Posso ir com você?") e serem melhores amigos.
Mas, ao contrário, não fiquei ranzinza com isso. Só achei muito esquisito a pessoa viajar mais de mil quilômetros para fazer amizades rápidas e, muitas vezes, continuar na mesma rotina de onde vive, sem aproveitar a cidade de fato.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
domingo, 7 de novembro de 2010
De volta
Foi muito bom ter passado um dia em Brasília. Reparei que já passei muitos dias lá [2006, 2007, 2008 e 2010]. Sempre é legal ficar um tempo em Brasília, cidade que apesar do tempo seco, me é fascinante.
Foi muito bom ter visto a beleza da Chapada dos Veadeiros. Que lugar lindo! Cachoeiras maravilhosas, paisagem de tirar o fôlego...calmaria e tranquilidade na medida certa. Foi bom ter feito amizade com dois casais de Goiânia. Me garantiram boas risadas e boas conversas regionalistas!
A volta ainda me preocupava, porque apesar de tudo, a dor continuava um pouco, mesmo que de leve.
Mas foi tudo bem. A cabeça já tá no lugar. A consciência, mais tranquila do que nunca.
Apesar de ser um problema extremamente pequeno [em vista de muitas outras coisas], foi grande pra mim. Mas recebi apoio de muita gente. Mais importante que isso, recebi a compreensão deles. De amigos da vida, de amigos do trampo. Que entenderam que, pequeno ou grande, qualquer arranhão no idealismo dói.
Foi importante ter conversado com o padrinho, com os mestres-de-obra, com a chefe, com o colega arquiteto. Ter recebido apoio do amigo dos tempos de CA, do amigo dos tempos de movimento estudantil. Da irmã.
Mas, a vida continua. Mais desafiadora do que nunca. E bola pra frente!
Foi muito bom ter visto a beleza da Chapada dos Veadeiros. Que lugar lindo! Cachoeiras maravilhosas, paisagem de tirar o fôlego...calmaria e tranquilidade na medida certa. Foi bom ter feito amizade com dois casais de Goiânia. Me garantiram boas risadas e boas conversas regionalistas!
A volta ainda me preocupava, porque apesar de tudo, a dor continuava um pouco, mesmo que de leve.
Mas foi tudo bem. A cabeça já tá no lugar. A consciência, mais tranquila do que nunca.
Apesar de ser um problema extremamente pequeno [em vista de muitas outras coisas], foi grande pra mim. Mas recebi apoio de muita gente. Mais importante que isso, recebi a compreensão deles. De amigos da vida, de amigos do trampo. Que entenderam que, pequeno ou grande, qualquer arranhão no idealismo dói.
Foi importante ter conversado com o padrinho, com os mestres-de-obra, com a chefe, com o colega arquiteto. Ter recebido apoio do amigo dos tempos de CA, do amigo dos tempos de movimento estudantil. Da irmã.
Mas, a vida continua. Mais desafiadora do que nunca. E bola pra frente!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Resumo dos últimos pensamentos
- E parece que agora Paul McCartney vem mesmo pro Brasil, pela terceira vez. Notícia recebida ontem através de um tweet da minha irmã, e também hoje no almoço, por dois amigos das antigas. Se confirmar mesmo, mal vejo a hora! Se ele tocar mesmo Let'Em In, posso morrer no dia seguinte bem feliz!
- Genericamente falando, não suporto The Police. Acho que não suporto, na verdade, o Sting. Mas tenho de tirar o chapéu pra Synchronicity [do vídeo abaixo], tanto a parte 1 quanto a 2. Mesmo que esteja no mesmo álbum de uma das músicas mais insuportáveis do rock. Synchronicity é incrível. Sempre me faz sentir melhor. Principalmente em dias tensos como hoje.
- Genericamente falando, não suporto The Police. Acho que não suporto, na verdade, o Sting. Mas tenho de tirar o chapéu pra Synchronicity [do vídeo abaixo], tanto a parte 1 quanto a 2. Mesmo que esteja no mesmo álbum de uma das músicas mais insuportáveis do rock. Synchronicity é incrível. Sempre me faz sentir melhor. Principalmente em dias tensos como hoje.
- A próxima viagem que farei vai ser pra Chapada dos Veadeiros. Ando pirando nas formas de se ir, na economia de dinheiro e na paisagem linda de lá, que só conheço pela net mesmo. Acho que vai ser pra recarregar um pouco da energia. Pra ver mais sentido na vida. Pra perceber que eu sou só mais uma, mesmo, nesse mundo, e que isso deve soar extremamente normal a qualquer um.
- E, por último, mas não menos importante [aliás, a coisa que mais tem me atormentado nesses dias], candidatos definidos a serem votados no dia 3 de outubro! Finalmente! Parece que só depois de entrar na máquina pública eu saquei os ônus e bônus de se apoiar cada candidato e cada política seguida. Porque, por detrás das cortinas, a vida é radicalmente outra. Sem democracia, sem consensos, sem debates. Muitos acordos e muita politicagem. Pro bem e pro mal.
- E, por último, mas não menos importante [aliás, a coisa que mais tem me atormentado nesses dias], candidatos definidos a serem votados no dia 3 de outubro! Finalmente! Parece que só depois de entrar na máquina pública eu saquei os ônus e bônus de se apoiar cada candidato e cada política seguida. Porque, por detrás das cortinas, a vida é radicalmente outra. Sem democracia, sem consensos, sem debates. Muitos acordos e muita politicagem. Pro bem e pro mal.
domingo, 25 de julho de 2010
Minhas férias
Minha férias foram de duas semanas. Uma bem gasta em São Paulo, outra em Rio das Pedras (falei da cidade a um tempo atrás, aqui). Primeiras férias remuneradas, primeiras férias da vida proletária. Primeiras férias de verdade na vida adulta.
Acordava todo dia ao meio-dia. Enrolava até às 14h pra almoçar qualquer coisa. Aproveitei pra montar melhor meu projeto de pesquisa pro mestrado. Pensei um pouco, todo dia, no projeto do concurso. Ficava procrastinando horas na net. Passeava tranquilamente pelo centro da capital enquanto o mundo girava loucamente. Saía às noites, mas isso já é bem normal na minha vida.
A outra semana, gasta no interior, foi ainda mais inútil. Não fazia absolutamente nada a não ser assistir televisão na companhia da minha avó e da mamãe (como vocês sabem, não tenho tv em casa, de modo que me impressiono com a ainda qualidade ruim dos programas...). Vi meus parentes de lá. Todos muito bem. Vi meus primos mais novos, de 5 e 2 anos, e fiquei feliz o resto dos dias por ter brincado com eles a tarde inteira. Fiquei feliz da minha priminha de 2 anos não ter chorado ao ter me visto, e ter conversado comigo (como se eu entendesse esse dialeto das crianças...).
Vi bons amigos, fui a bares, tive ótimas conversas. Nem sequer me preocupei com Embu (só quando acordava, imaginando que o povo devia estar se preparando pro almoço). Não fui ao ENEA, como era planejado, mas creio que isso me fez um bem danado...
Hoje, encontrando minha chefe, já me inteirei de todas as fofocas. Fiquei feliz de ter conversado com ela sobre muita coisa, como sempre acontece quando conversamos. Fiquei feliz de não ter "feito" nenhuma burrada grande na minha ausência. E fiquei com saudade de Embu, até.
E agora tô nesse misto de vontade de voltar a trabalhar e vontade de ficar a toa por mais tempo...mas tenho certeza de que essa pausa fez meu humor melhorar muito. Espero que dure muito tempo!
Acordava todo dia ao meio-dia. Enrolava até às 14h pra almoçar qualquer coisa. Aproveitei pra montar melhor meu projeto de pesquisa pro mestrado. Pensei um pouco, todo dia, no projeto do concurso. Ficava procrastinando horas na net. Passeava tranquilamente pelo centro da capital enquanto o mundo girava loucamente. Saía às noites, mas isso já é bem normal na minha vida.
A outra semana, gasta no interior, foi ainda mais inútil. Não fazia absolutamente nada a não ser assistir televisão na companhia da minha avó e da mamãe (como vocês sabem, não tenho tv em casa, de modo que me impressiono com a ainda qualidade ruim dos programas...). Vi meus parentes de lá. Todos muito bem. Vi meus primos mais novos, de 5 e 2 anos, e fiquei feliz o resto dos dias por ter brincado com eles a tarde inteira. Fiquei feliz da minha priminha de 2 anos não ter chorado ao ter me visto, e ter conversado comigo (como se eu entendesse esse dialeto das crianças...).
Vi bons amigos, fui a bares, tive ótimas conversas. Nem sequer me preocupei com Embu (só quando acordava, imaginando que o povo devia estar se preparando pro almoço). Não fui ao ENEA, como era planejado, mas creio que isso me fez um bem danado...
Hoje, encontrando minha chefe, já me inteirei de todas as fofocas. Fiquei feliz de ter conversado com ela sobre muita coisa, como sempre acontece quando conversamos. Fiquei feliz de não ter "feito" nenhuma burrada grande na minha ausência. E fiquei com saudade de Embu, até.
E agora tô nesse misto de vontade de voltar a trabalhar e vontade de ficar a toa por mais tempo...mas tenho certeza de que essa pausa fez meu humor melhorar muito. Espero que dure muito tempo!
domingo, 6 de junho de 2010
Mais um casamento
Mais um da série de posts ""pessimistas".
Mas nem vai ser tanto assim. Eu acho.
O casamento em Ribeirão foi lindo. Lugar bacana, noiva linda, noivo nervoso. Fazia tempo que não chorava de alegria. Eu e minha amiga que estava ao meu lado meio que nos revezávamos no choro. Foi foda ver a alegria da noiva, o choro do padrinho amigo nosso e não chorar junto. Mas o choro era também de ver o fim de mais uma amizade. Depois, à noite e no dia seguinte, isso se firmou como mais uma verdade da vida: cada casamento novo traz o fim de um ciclo de amizade. Cada um fica cada vez mais por si só, com a nova família, novos parentes, novos planos, novas dificuldades.
O que me leva, de novo, à idéia de se aproveitar o momento. E acho que aproveitei ao máximo a amizade da amiga mais saudável que eu já tive. A que me levava pra comer lanche e me ouvia nas minhas angústias de estudante. A que gostava de conversar sobre a vida comigo, a que me dava carona na volta do cinema.
Enfim, essa vida já foi, e só me resta torcer pelo sucesso do mais novo casal.
Casamento do povo da faculdade é bacana pelo reencontro, de se colocar a fofoca em dia, de ficar imaginando que vai ser o próximo a casar, pra termos um bom pretexto pra nos vermos sempre. E fico imaginando se um casamento serve unicamente pra isso pra nós, da platéia. Porque casamento é uma realização das famílias envolvidas, e nada mais. Não acho que os noivos ligam tanto assim pras presenças dos amigos, mas isso tá fora de cogitação de se pensar mais aprofundamente, porque minhas idéias não são nada ortodoxas em relação a isso tudo.
Que venham os próximos reencontros, com ou sem casamento. Mas com muita cerveja e risadas!
Mas nem vai ser tanto assim. Eu acho.
O casamento em Ribeirão foi lindo. Lugar bacana, noiva linda, noivo nervoso. Fazia tempo que não chorava de alegria. Eu e minha amiga que estava ao meu lado meio que nos revezávamos no choro. Foi foda ver a alegria da noiva, o choro do padrinho amigo nosso e não chorar junto. Mas o choro era também de ver o fim de mais uma amizade. Depois, à noite e no dia seguinte, isso se firmou como mais uma verdade da vida: cada casamento novo traz o fim de um ciclo de amizade. Cada um fica cada vez mais por si só, com a nova família, novos parentes, novos planos, novas dificuldades.
O que me leva, de novo, à idéia de se aproveitar o momento. E acho que aproveitei ao máximo a amizade da amiga mais saudável que eu já tive. A que me levava pra comer lanche e me ouvia nas minhas angústias de estudante. A que gostava de conversar sobre a vida comigo, a que me dava carona na volta do cinema.
Enfim, essa vida já foi, e só me resta torcer pelo sucesso do mais novo casal.
Casamento do povo da faculdade é bacana pelo reencontro, de se colocar a fofoca em dia, de ficar imaginando que vai ser o próximo a casar, pra termos um bom pretexto pra nos vermos sempre. E fico imaginando se um casamento serve unicamente pra isso pra nós, da platéia. Porque casamento é uma realização das famílias envolvidas, e nada mais. Não acho que os noivos ligam tanto assim pras presenças dos amigos, mas isso tá fora de cogitação de se pensar mais aprofundamente, porque minhas idéias não são nada ortodoxas em relação a isso tudo.
Que venham os próximos reencontros, com ou sem casamento. Mas com muita cerveja e risadas!
domingo, 23 de maio de 2010
Encontros
A viagem pra Santos, ontem, me fez relembrar os Encontros de Arquitetura.
Alguns outros fatores ajudaram a relembrar mais deles.
Na semana passada, pegando carona com a chefe até Taboão, falávamos sobre a diferença absurda do clima entre Embu e São Paulo [Embu é muito mais fria que SP, de modo que saio encapotada numa amena capital pra ainda assim passar frio por lá]. Comentei que, pelo menos pra tomar cerveja o frio não atrapalhava, já que no ENEA Floripa fazia cerca de 10 graus toda tarde/noite e nem por isso deixava de me embebedar. A chefe comentou que no único Encontro que ela foi, em Porto Alegre, era a mesma coisa, e falamos um pouco mais sobre Encontros em geral.
Ontem, em Santos, na companhia dela e mais duas amigas, passamos em frente ao lugar do EREA Santos 2001, e uma das amigas ficou falando dos perrengues daquele encontro. Um tempo depois, foi minha vez de comentar dos perrengues do encontro de 2006, ao passarmos em frente ao quartel general. A outra amiga complementou dizendo que aquele foi o lugar onde havia torturas durante a ditadura.
Rever Santos me foi especial porque foi o lugar do meu primeiro (e, erroneamente pensado como último) encontro. Foi impossível não se lembrar das bebedeiras, das festas, dos amigos....de tudo que viria após esse de Santos. Depois de Santos foram mais 10 encontros pelo país afora. Cada um especial, mesmo alguns sendo bem ruins. De 2006 até ano passado, fui a todos do estado de SP, quebrando a rotina nesse ano [não só por causa da Virada Cultural, mas também por não estar mais no clima de Encontro - já que ano passado deixei a Virada de lado e fui pro Encontro em Poços, o que na época me valeu bem mais a pena].
E, olhando as fotos e as notícias do EREA Ribeirão desse ano, acho que fiz bem. As coisas mudaram sensivelmente, e acho que aproveitei muito bem meu tempo. Não sei o que faria num Encontro sem ter uma função e sem conhecer mais tanta gente. Mas, ainda hoje, me sinto orgulhosa de ser, muito indiretamente, uns 10% responsável pelo Encontro em Taubaté ano que vem [pilhado originalmente por um dos meus afilhados].
Vamos ver se até Uberlândia meu espírito fique melhor e eu consiga descansar bem nas férias que terei de Embu.
Alguns outros fatores ajudaram a relembrar mais deles.
Na semana passada, pegando carona com a chefe até Taboão, falávamos sobre a diferença absurda do clima entre Embu e São Paulo [Embu é muito mais fria que SP, de modo que saio encapotada numa amena capital pra ainda assim passar frio por lá]. Comentei que, pelo menos pra tomar cerveja o frio não atrapalhava, já que no ENEA Floripa fazia cerca de 10 graus toda tarde/noite e nem por isso deixava de me embebedar. A chefe comentou que no único Encontro que ela foi, em Porto Alegre, era a mesma coisa, e falamos um pouco mais sobre Encontros em geral.
Ontem, em Santos, na companhia dela e mais duas amigas, passamos em frente ao lugar do EREA Santos 2001, e uma das amigas ficou falando dos perrengues daquele encontro. Um tempo depois, foi minha vez de comentar dos perrengues do encontro de 2006, ao passarmos em frente ao quartel general. A outra amiga complementou dizendo que aquele foi o lugar onde havia torturas durante a ditadura.
Rever Santos me foi especial porque foi o lugar do meu primeiro (e, erroneamente pensado como último) encontro. Foi impossível não se lembrar das bebedeiras, das festas, dos amigos....de tudo que viria após esse de Santos. Depois de Santos foram mais 10 encontros pelo país afora. Cada um especial, mesmo alguns sendo bem ruins. De 2006 até ano passado, fui a todos do estado de SP, quebrando a rotina nesse ano [não só por causa da Virada Cultural, mas também por não estar mais no clima de Encontro - já que ano passado deixei a Virada de lado e fui pro Encontro em Poços, o que na época me valeu bem mais a pena].
E, olhando as fotos e as notícias do EREA Ribeirão desse ano, acho que fiz bem. As coisas mudaram sensivelmente, e acho que aproveitei muito bem meu tempo. Não sei o que faria num Encontro sem ter uma função e sem conhecer mais tanta gente. Mas, ainda hoje, me sinto orgulhosa de ser, muito indiretamente, uns 10% responsável pelo Encontro em Taubaté ano que vem [pilhado originalmente por um dos meus afilhados].
Vamos ver se até Uberlândia meu espírito fique melhor e eu consiga descansar bem nas férias que terei de Embu.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Parênteses
[post chato, mas foi essencial escrever sobre isso nessa hora. a saudades bateu forte, de novo.]
Passei o carnaval com uns amigos de um amigo meu, que juntos fazem parte de um movimento de reconstrução de cidades devastadas por acidente naturais. Resumidamente falando, é isso, mas tem muito mais, que pode ser pesquisado aqui, por exemplo.
Quando tava pra sair da FeNEA, eu já sabia dese movimento, sem dar a devida atenção. Até porque, na época, minha cabeça tava cheia de muitas outras preocupações. E vi alguns amigos feneanos e outros da vida se enveredarem por esse caminho, que tem inúmeras semelhanças com o que tentávamos fazer nos Encontros e Conselhos da vida. Quando pensávamos que podíamos mudar o mundo. Por ser um movimento relativamente novo, é possível que esteja dando mais certo do que a Federação. E espero que se conserve bem assim até alcançar os objetivos.
O fato é que o clima, as conversas, a admiração e a curiosidade de quem era de fora do movimento, a dinâmica antes de pegarmos bambu, a vontade de mudar o mundo me deu uma saudade absurda da Federação. Acho que foi o fator primordial que me fez ter essa viagem como uma das melhores. Porque, no fim, ela me trouxe lembranças muito boas iguais as de algum CoREA ou CoNEA bom que eu tenha ido. Quando todo mundo tava na mesma pegada. Quando havia respeito, choros, abraços e saudades infinitas.
Passei o carnaval com uns amigos de um amigo meu, que juntos fazem parte de um movimento de reconstrução de cidades devastadas por acidente naturais. Resumidamente falando, é isso, mas tem muito mais, que pode ser pesquisado aqui, por exemplo.
Quando tava pra sair da FeNEA, eu já sabia dese movimento, sem dar a devida atenção. Até porque, na época, minha cabeça tava cheia de muitas outras preocupações. E vi alguns amigos feneanos e outros da vida se enveredarem por esse caminho, que tem inúmeras semelhanças com o que tentávamos fazer nos Encontros e Conselhos da vida. Quando pensávamos que podíamos mudar o mundo. Por ser um movimento relativamente novo, é possível que esteja dando mais certo do que a Federação. E espero que se conserve bem assim até alcançar os objetivos.
O fato é que o clima, as conversas, a admiração e a curiosidade de quem era de fora do movimento, a dinâmica antes de pegarmos bambu, a vontade de mudar o mundo me deu uma saudade absurda da Federação. Acho que foi o fator primordial que me fez ter essa viagem como uma das melhores. Porque, no fim, ela me trouxe lembranças muito boas iguais as de algum CoREA ou CoNEA bom que eu tenha ido. Quando todo mundo tava na mesma pegada. Quando havia respeito, choros, abraços e saudades infinitas.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Carnaval na Juréia
Não é segredo que eu não curto o carnaval. Não sei precisar porque, mas não gosto. Curto o feriado em si, momento de descanso e de viagem.
Quase todo carnaval eu ia pro litoral sul. Era o momento do ano de visitar os parentes que moram por lá. Então, todo carnaval eu passava em Iguape, Barra do Ribeira e Juréia, com meus pais e irmãos. Às vezes era bem legal, mas na maioria das vezes era um suplício. Basicamente por conta das eternas brigas entre meus pais. Era bom porque era o único momento do ano que eu via o mar.
Nesse ano o lugar foi quase o mesmo, mas num contexto e numa viagem completamente diferente. A convite de um grande amigo meu, fui acampar dentro da Estação Ecológica da Juréia, junto com amigos dele e mais uma amiga nossa, da faculdade. Que, depois da viagem pra Mococa, se tornou mais próxima de mim.
A Estação é uma área em que a presença humana não é permitida por lei. Ninguém, além de pesquisadores e funcionários do Instituto Florestal, pode entrar lá. Muito menos acampar. Um amigo conhecido lá nos deu estadia na casa da família, que mora lá desde que o Brasil foi "descoberto". Desse modo, tivemos a chance de passar alguns dias num lugar bem deserto, sem energia elétrica, com praias e cachoeiras maravilhosas. Isolados do mundo, lutando - literalmente - contra as mutucas, conversando bastante sobre a vida, sem a música "moderna" de carnaval, sem farofeiros, sem gente sem noção.
Impossível descrever bem sobre a trilha de mais de 4 horas, das cachoeiras uma mais linda que a outra, da hospitalidade da família, das músicas típicas dos caiçaras, da dança até às 5 da manhã, da bebedeira no meu último dia por lá, do carinho dos amigos recém-conquistados, da carona de moto pela praia semi-deserta até a Barra do Una. Tudo parece muito, muito surreal pra ter acontecido de verdade. Mas que vou guardar na memória por um bom tempo como uma das melhores viagens que já fiz na vida.
Quase todo carnaval eu ia pro litoral sul. Era o momento do ano de visitar os parentes que moram por lá. Então, todo carnaval eu passava em Iguape, Barra do Ribeira e Juréia, com meus pais e irmãos. Às vezes era bem legal, mas na maioria das vezes era um suplício. Basicamente por conta das eternas brigas entre meus pais. Era bom porque era o único momento do ano que eu via o mar.
Nesse ano o lugar foi quase o mesmo, mas num contexto e numa viagem completamente diferente. A convite de um grande amigo meu, fui acampar dentro da Estação Ecológica da Juréia, junto com amigos dele e mais uma amiga nossa, da faculdade. Que, depois da viagem pra Mococa, se tornou mais próxima de mim.
A Estação é uma área em que a presença humana não é permitida por lei. Ninguém, além de pesquisadores e funcionários do Instituto Florestal, pode entrar lá. Muito menos acampar. Um amigo conhecido lá nos deu estadia na casa da família, que mora lá desde que o Brasil foi "descoberto". Desse modo, tivemos a chance de passar alguns dias num lugar bem deserto, sem energia elétrica, com praias e cachoeiras maravilhosas. Isolados do mundo, lutando - literalmente - contra as mutucas, conversando bastante sobre a vida, sem a música "moderna" de carnaval, sem farofeiros, sem gente sem noção.
Impossível descrever bem sobre a trilha de mais de 4 horas, das cachoeiras uma mais linda que a outra, da hospitalidade da família, das músicas típicas dos caiçaras, da dança até às 5 da manhã, da bebedeira no meu último dia por lá, do carinho dos amigos recém-conquistados, da carona de moto pela praia semi-deserta até a Barra do Una. Tudo parece muito, muito surreal pra ter acontecido de verdade. Mas que vou guardar na memória por um bom tempo como uma das melhores viagens que já fiz na vida.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Campinas
Eu devo ser a única da turma da faculdade que gosta de Campinas.
Que sente falta da calmaria e da tranquilidade de lá.
A única que gosta de reclamar do calor de lá só pra encher o saco dos outros.
Que gosta de conhecer os inúmeros bares, de Sousas, Barão Geraldo, Cambuí...mesmo que sejam mais caros e chiques do que os que vou aqui em SP.
E que gosta de ficar relembrando a cidade e fica falando: "Nossa, tal bar fechou....olha, abriu tal coisa em tal lugar!"
A única que não sente falta nem um pouco da vida na faculdade, porque a vida de adulta tá muito mais legal.
Mas que sente falta dos amigos vistos todo dia, dos bares idos toda noite. Das caronas dos amigos que me buscavam em casa numa quinta-feira às onze da noite pra fechar algum bar às quatro da manhã. E acordar às sete pra trabalhar.
Enfim. Gosto de voltar pra Campinas sempre que posso, com ou sem compromisso lá. Sozinha ou acompanhada. Faça chuva, faça sol.
Mas ainda gosto muito mais de SP.
ps: eu não canso de escrever sobre Campinas. Já tem outro post aí sobre a cidade, e outros vários com referência a ela. E viva a redundância!
Que sente falta da calmaria e da tranquilidade de lá.
A única que gosta de reclamar do calor de lá só pra encher o saco dos outros.
Que gosta de conhecer os inúmeros bares, de Sousas, Barão Geraldo, Cambuí...mesmo que sejam mais caros e chiques do que os que vou aqui em SP.
E que gosta de ficar relembrando a cidade e fica falando: "Nossa, tal bar fechou....olha, abriu tal coisa em tal lugar!"
A única que não sente falta nem um pouco da vida na faculdade, porque a vida de adulta tá muito mais legal.
Mas que sente falta dos amigos vistos todo dia, dos bares idos toda noite. Das caronas dos amigos que me buscavam em casa numa quinta-feira às onze da noite pra fechar algum bar às quatro da manhã. E acordar às sete pra trabalhar.
Enfim. Gosto de voltar pra Campinas sempre que posso, com ou sem compromisso lá. Sozinha ou acompanhada. Faça chuva, faça sol.
Mas ainda gosto muito mais de SP.
ps: eu não canso de escrever sobre Campinas. Já tem outro post aí sobre a cidade, e outros vários com referência a ela. E viva a redundância!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
São Luiz do Paraitinga
Nada mais normal do que se lembrar do ano que se passou nos últimos dias dele. Ficar horas lembrando como tudo aconteceu, das emoções, dos risos, alegrias, tristezas.
Como se não bastassem as lembranças, dessa vez o noticiário ajudou. Com uma notícia extremamente triste. As pessoas que tavam comigo na praia nunca imaginariam o que eu tava sentindo ao ver as imagens de São Luiz do Paraitinga inundada pelas águas do rio Paraitinga. Com todo seu patrimônio histórico sendo destruído daquele jeito.
Passei por dois momentos em SLP. Uns dos mais importantes na minha vida. Em agosto de 2008 e em abril de 2009. Não, não foi no famoso e tradicional carnaval . Foi por causa do movimento estudantil mesmo.
Ajudei a fazer um encontro de estudantes lá. Pesquisei o máximo da cidade pra ajudar nas atividades. Aprendi muito sobre a vida dos moradores de lá. Subi e desci as ladeiras infinitas vezes. Na maioria delas, bêbada, brincando com os amigos. Em outras vezes, pensando seriamente na articulação estudantil de um estado inteiro.
A cidade me serviu de amparo nas duas vezes que fui lá. Me viu chorar nas duas vezes. Me viu no começo de uma nostalgia que eu sentiria pra sempre, meses mais tarde.
E me doeu, muito, ver o noticiário do primeiro dia do ano. Me doeu mais ainda ver as manchetes dos jornais de hoje. Ver a cidade destruída, depois de ter acolhido tanta gente no EREA do ano passado, depois de ver tanta gente aprendendo de verdade as características da cidade.
Acho que tenho um carinho maior por SLP do que por Piracicaba, minha cidade natal.
Como se não bastassem as lembranças, dessa vez o noticiário ajudou. Com uma notícia extremamente triste. As pessoas que tavam comigo na praia nunca imaginariam o que eu tava sentindo ao ver as imagens de São Luiz do Paraitinga inundada pelas águas do rio Paraitinga. Com todo seu patrimônio histórico sendo destruído daquele jeito.
Passei por dois momentos em SLP. Uns dos mais importantes na minha vida. Em agosto de 2008 e em abril de 2009. Não, não foi no famoso e tradicional carnaval . Foi por causa do movimento estudantil mesmo.
Ajudei a fazer um encontro de estudantes lá. Pesquisei o máximo da cidade pra ajudar nas atividades. Aprendi muito sobre a vida dos moradores de lá. Subi e desci as ladeiras infinitas vezes. Na maioria delas, bêbada, brincando com os amigos. Em outras vezes, pensando seriamente na articulação estudantil de um estado inteiro.
A cidade me serviu de amparo nas duas vezes que fui lá. Me viu chorar nas duas vezes. Me viu no começo de uma nostalgia que eu sentiria pra sempre, meses mais tarde.
E me doeu, muito, ver o noticiário do primeiro dia do ano. Me doeu mais ainda ver as manchetes dos jornais de hoje. Ver a cidade destruída, depois de ter acolhido tanta gente no EREA do ano passado, depois de ver tanta gente aprendendo de verdade as características da cidade.
Acho que tenho um carinho maior por SLP do que por Piracicaba, minha cidade natal.
Na época do EREA 2009 e no começo desse ano.
ps.: como ajudar:
Já existe a comunidade do Oasis para ajudar SLP. Só entrar aqui e se cadastrar. Lá também tem os demais meios de ajudar, que tô colocando aqui.
Lista de necessidade:
Água potável, leite em pó, alimentos não pereciveis, velas, lanternas, roupas, sapatos, fraudas para bebê e geriátricas, material de limpeza, sabonete, pasta e escovade dente, colchões, roupas de cama mesa e banho, açúcar e transporte.
Locais de ajuda:
São Paulo:
Rua Bernardino de Campos, 1624 Campo Belo – SP
É o endereço da loja Rafting Brasil, que está ajudando localmente também - http://raftingbrasil.com
Taubaté:
SESI -Neste domingo o funcionamento é das 8h e às 18h. De segunda à sexta as doações podem ser feitas até às 20h30. O Sesi fica na Avenida Voluntário Benedito Sérgio, 710, Estiva. O telefone é 3633-4699;
- Plantão da delegacia da JK – Rua Juscelino Kubitschek de Oliveira, 260;
- Rua Marquês de Rabicó, 33 – Gurilândia;
- Rua José Dantas, 266 – Parque Aeroporto – rua da igreja;
- Rua Monsenhor Miguel Martins, 361 – Vila Marli;
- Padre Faria Fialho, 315 – Jd Maria Augusta;
- Batalhão da PM – avenida Independência;
São José dos Campos:
1ª Igreja Batista – Rua Salvador Piorino, 6, Jardim Carlota. Das 8 às 17 horas. Fecha para almoço. Informações: 3637-2024;
Ubatuba:
Comando de Policiamento do Interior – I (CPI-I) da Polícia Militar
Piracicaba:
Comando de policiamento do Interior - IX (CPI - 9) da Policia Militar
Pindamonhangaba:
Na sede da OAB, a entidade está recebendo alimentos não perecíveis e na Empresa de Ônibus Viva Pinda, estão sendo levados objetos de uso pessoal, principalmente roupas e calçados
Todos os dias, um caminhão está saindo de Pindamonhangaba com destino a São Luiz levando as doações conseguidas nos postos de arrecadação da cidade. No bairro Ouro Verde, o posto de recebimento está instalado no Bar Epa, Rua Ministro Rodrigues Alckmin, acesso da Avenida Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Polícia Militar do Estado de São Paulo:
- Cias, Batalhões, Destacamentos e Quartéis. (é necessário que os alimentos estejam bem acondicionados em caixa fechada). Alguns policiais militares não estão sabendo de nada dessa ação, convém pesquisar o local da sede mais próximo de vc pelo site da Polícia Militar
ps.: como ajudar:
Já existe a comunidade do Oasis para ajudar SLP. Só entrar aqui e se cadastrar. Lá também tem os demais meios de ajudar, que tô colocando aqui.
Lista de necessidade:
Água potável, leite em pó, alimentos não pereciveis, velas, lanternas, roupas, sapatos, fraudas para bebê e geriátricas, material de limpeza, sabonete, pasta e escovade dente, colchões, roupas de cama mesa e banho, açúcar e transporte.
Locais de ajuda:
São Paulo:
Rua Bernardino de Campos, 1624 Campo Belo – SP
É o endereço da loja Rafting Brasil, que está ajudando localmente também - http://raftingbrasil.com
Taubaté:
SESI -Neste domingo o funcionamento é das 8h e às 18h. De segunda à sexta as doações podem ser feitas até às 20h30. O Sesi fica na Avenida Voluntário Benedito Sérgio, 710, Estiva. O telefone é 3633-4699;
- Plantão da delegacia da JK – Rua Juscelino Kubitschek de Oliveira, 260;
- Rua Marquês de Rabicó, 33 – Gurilândia;
- Rua José Dantas, 266 – Parque Aeroporto – rua da igreja;
- Rua Monsenhor Miguel Martins, 361 – Vila Marli;
- Padre Faria Fialho, 315 – Jd Maria Augusta;
- Batalhão da PM – avenida Independência;
São José dos Campos:
1ª Igreja Batista – Rua Salvador Piorino, 6, Jardim Carlota. Das 8 às 17 horas. Fecha para almoço. Informações: 3637-2024;
Ubatuba:
Comando de Policiamento do Interior – I (CPI-I) da Polícia Militar
Piracicaba:
Comando de policiamento do Interior - IX (CPI - 9) da Policia Militar
Pindamonhangaba:
Na sede da OAB, a entidade está recebendo alimentos não perecíveis e na Empresa de Ônibus Viva Pinda, estão sendo levados objetos de uso pessoal, principalmente roupas e calçados
Todos os dias, um caminhão está saindo de Pindamonhangaba com destino a São Luiz levando as doações conseguidas nos postos de arrecadação da cidade. No bairro Ouro Verde, o posto de recebimento está instalado no Bar Epa, Rua Ministro Rodrigues Alckmin, acesso da Avenida Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Polícia Militar do Estado de São Paulo:
- Cias, Batalhões, Destacamentos e Quartéis. (é necessário que os alimentos estejam bem acondicionados em caixa fechada). Alguns policiais militares não estão sabendo de nada dessa ação, convém pesquisar o local da sede mais próximo de vc pelo site da Polícia Militar
domingo, 27 de dezembro de 2009
Parênteses
O Natal foi mais tranquilo que imaginava. Acabei voltando mais cedo pra São Paulo, pra ir num bar de rock com amigos da minha irmã, comemorar o aniversário dela. E fugir de qualquer possível desavença no pós-Natal.
Foi bom ouvir rock clássico ao vivo nos últimos instantes de 2009. Foi bom chegar às 5 da manhã em casa. Eu dando boa noite ao porteiro, ele retornando com um bom dia. E sem estar bêbada nem nada. Tô aguentando bem ficar sem beber tanto!
Mais 3 dias de trabalho e, se tudo der certo, virada de ano na praia. Pra lavar a alma de verdade e pensar com carinho no ano que se foi e no ano que virá. E começar o ano com muita tranquilidade. E depois, alguma viagem pelo litoral carioca, porque é difícil se acostumar a não viajar tanto pelo país.
Foi bom ouvir rock clássico ao vivo nos últimos instantes de 2009. Foi bom chegar às 5 da manhã em casa. Eu dando boa noite ao porteiro, ele retornando com um bom dia. E sem estar bêbada nem nada. Tô aguentando bem ficar sem beber tanto!
Mais 3 dias de trabalho e, se tudo der certo, virada de ano na praia. Pra lavar a alma de verdade e pensar com carinho no ano que se foi e no ano que virá. E começar o ano com muita tranquilidade. E depois, alguma viagem pelo litoral carioca, porque é difícil se acostumar a não viajar tanto pelo país.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
2009
Mesmo faltando pouco menos de um mês pra acabar o ano, vou me antecipar aqui nesse breve resumo da vida em 2009. Só porque hoje, no caminho pra casa, me lembrei de tudo que foi acontecendo no ano.
Me despedi de vez de Campinas.
Morei com os pais, em São Paulo.
Briguei com meu irmão. Reatei amizade com minha irmã.
Fiquei desempregada até março.
Tive um chefe que adorava beber e fumar comigo.
Meus pais se separaram e voltaram. Segurei uma barra enorme.
Dei sorte de ter um padrinho compreensivo.
Dei sorte de poder almoçar toda semana com a madrinha.
Fui dispensada do trampo. Mais um mês desempregada.
Nesse meio tempo, São Luiz do Paraitinga e Poços de Caldas.
Voltei de Curitiba com um emprego em Embu.
Ganhei menção honrosa num concurso (eu e mais os três sócios).
Me mudei pro centro da cidade.
Conheci, de início, a periferia de Embu. E foquei nela até agora.
Aprendi a fazer orçamentos.
Fui a três Encontros e a quatro Conselhos.
Parei de viajar pelo Brasil.
Saí da FeNEA de vez.
Ganhei uma mãe.
Chorei inúmeras vezes.
Consegui conciliar noites de bebedeira com o acordar cedo.
Me encontrei muitas vezes com os sócios.
Apanhei da burocracia do poder público.
Perdi muito contato com a turma que entrou comigo na faculdade.
Reatei com meu irmão.
Comecei a sofrer de saudade, constantemente.
Discuti seriamente com moradores da favela.
Aprendi um pouco mais sobre obras.
Ganhei a amizade dos mestres-de-obra.
Fui reconhecida por pessoas importantes do trampo.
Recebi inúmeras broncas da chefe por coisas obviamente erradas.
Parei de beber descontroladamente.
Comecei a fumar compulsivamente.
E é isso. Não tá exatamente na ordem que aconteceu, algumas coisas se entrelaçam. E tenho certeza de que vão acontecer mais coisas até o fim do ano, mas também tenho certeza de que vou postar sobre, mais tarde (até porque vai ser impossível não contar sobre a experiência de ser relatora da Conferência das Cidades, a acontecer nesse domingo, e sobre a confraternização em Embu com o povo do trampo, daqui a duas semanas, que promete!)
Me despedi de vez de Campinas.
Morei com os pais, em São Paulo.
Briguei com meu irmão. Reatei amizade com minha irmã.
Fiquei desempregada até março.
Tive um chefe que adorava beber e fumar comigo.
Meus pais se separaram e voltaram. Segurei uma barra enorme.
Dei sorte de ter um padrinho compreensivo.
Dei sorte de poder almoçar toda semana com a madrinha.
Fui dispensada do trampo. Mais um mês desempregada.
Nesse meio tempo, São Luiz do Paraitinga e Poços de Caldas.
Voltei de Curitiba com um emprego em Embu.
Ganhei menção honrosa num concurso (eu e mais os três sócios).
Me mudei pro centro da cidade.
Conheci, de início, a periferia de Embu. E foquei nela até agora.
Aprendi a fazer orçamentos.
Fui a três Encontros e a quatro Conselhos.
Parei de viajar pelo Brasil.
Saí da FeNEA de vez.
Ganhei uma mãe.
Chorei inúmeras vezes.
Consegui conciliar noites de bebedeira com o acordar cedo.
Me encontrei muitas vezes com os sócios.
Apanhei da burocracia do poder público.
Perdi muito contato com a turma que entrou comigo na faculdade.
Reatei com meu irmão.
Comecei a sofrer de saudade, constantemente.
Discuti seriamente com moradores da favela.
Aprendi um pouco mais sobre obras.
Ganhei a amizade dos mestres-de-obra.
Fui reconhecida por pessoas importantes do trampo.
Recebi inúmeras broncas da chefe por coisas obviamente erradas.
Parei de beber descontroladamente.
Comecei a fumar compulsivamente.
E é isso. Não tá exatamente na ordem que aconteceu, algumas coisas se entrelaçam. E tenho certeza de que vão acontecer mais coisas até o fim do ano, mas também tenho certeza de que vou postar sobre, mais tarde (até porque vai ser impossível não contar sobre a experiência de ser relatora da Conferência das Cidades, a acontecer nesse domingo, e sobre a confraternização em Embu com o povo do trampo, daqui a duas semanas, que promete!)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Como sair de Embu num temporal
Não é novidade que eu trabalho em Embu. E não é novidade que eu moro no centro de São Paulo. 40km de distância, que geralmente percorro em uma hora e vinte minutos, na volta. Sem trânsito e sem congestionamento, dá quarenta minutos. Coisa tranquila de se conviver.
Hoje, toda a água do mundo resolveu desabar em São Paulo e redondezas (Embu incluso). O ônibus que eu pego passa pelo largo do Taboão que, apesar do mega piscinão [obra tosquíssima] à ceu aberto, não é capaz de amenizar em dias de chuvas tranquilas. Imagine em chuva forte, como foi hoje. Resultado: nenhum ônibus que passa por lá estava chegando em Embu. O Clínicas, que passa a cada 20 minutos, passou uma vez em uma hora. O São Marcos, que passa seis por hora, hoje passou só uns dois.
Lógico que o Anhangabaú não ia passar na hora, mas resolvi esperar uma hora. Às 19h, ligo pra minha mãe pra ter notícias, e ela me diz pra evitar de qualquer forma a Rebouças. Minha segunda opção ia pro espaço. Não me sobrou outra alternativa senão pegar o Campo Limpo, que estava no horário, vazio e sem trânsito.
[Pra quem não conhece São Paulo e arredores, sugiro seguir o mapa abaixo]
Mapa da rede ferroviária de São Paulo
Se conseguiu acompanhar a viagem, percebeu que fui da zona oeste da região metropolitana pra zona sul, voltei à zona oeste (demorei 2 horas pra ir e voltar basicamente ao mesmo lugar) e só depois fui pro centro. No fim, era mais fácil ter ido pra Itapevi e pegar o trem de lá até Barra Funda....mas como fiquei por dentro do trajeto só agora, não adiantava muito. Fica como sugestão pra próxima enxurrada. Porque passar de novo por 4 cidades pra chegar em casa, só quando a grana realmente apertar (gastei só 3,55 pra dar toda essa volta).
Hoje, toda a água do mundo resolveu desabar em São Paulo e redondezas (Embu incluso). O ônibus que eu pego passa pelo largo do Taboão que, apesar do mega piscinão [obra tosquíssima] à ceu aberto, não é capaz de amenizar em dias de chuvas tranquilas. Imagine em chuva forte, como foi hoje. Resultado: nenhum ônibus que passa por lá estava chegando em Embu. O Clínicas, que passa a cada 20 minutos, passou uma vez em uma hora. O São Marcos, que passa seis por hora, hoje passou só uns dois.
Lógico que o Anhangabaú não ia passar na hora, mas resolvi esperar uma hora. Às 19h, ligo pra minha mãe pra ter notícias, e ela me diz pra evitar de qualquer forma a Rebouças. Minha segunda opção ia pro espaço. Não me sobrou outra alternativa senão pegar o Campo Limpo, que estava no horário, vazio e sem trânsito.
[Pra quem não conhece São Paulo e arredores, sugiro seguir o mapa abaixo]
Mapa da rede ferroviária de São PauloMeu objetivo era chegar no metrô, de preferência da linha vermelha. E aí começou a maior volta que já dei por São Paulo. Às 19:15, segui de Embu a Campo Limpo, e, de fato, foi tranquilo. Em 40 minutos, lá estava eu perto de onde morava. De Campo Limpo, segui pra Santo Amaro, de metrô. 5 minutos (ou menos). O inferno começou em Santo Amaro, onde tive de esperar 40 minutos pra pegar o trem até Presidente Altino (Osasco). Quando pego, o trem resolve ficar extremamente cheio a cada parada. E com intervalos gigantes entre uma estação e outra. A sorte é que o povo tava bem humorado e não houve nada de discussões, empurra-empurra e tudo mais. Era possível até ler livro em pé, ou conversar de boa. Enfim, a viagem durou uma hora. 21:40, lá estava eu em Osasco, esperando o trem pra Barra Funda. Uma pequena espera, 15 minutos de viagem. Da Barra Funda, tinha ainda a derradeira viagem, de metrô, de novo. Quatro estações, e finalmente chegava ao centro de São Paulo, às 22:10.
Se conseguiu acompanhar a viagem, percebeu que fui da zona oeste da região metropolitana pra zona sul, voltei à zona oeste (demorei 2 horas pra ir e voltar basicamente ao mesmo lugar) e só depois fui pro centro. No fim, era mais fácil ter ido pra Itapevi e pegar o trem de lá até Barra Funda....mas como fiquei por dentro do trajeto só agora, não adiantava muito. Fica como sugestão pra próxima enxurrada. Porque passar de novo por 4 cidades pra chegar em casa, só quando a grana realmente apertar (gastei só 3,55 pra dar toda essa volta).
sábado, 21 de novembro de 2009
Encontros
Meu primeiro Encontro de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo foi em 2006. Um tanto tarde pra quem entrou na facul em 2002 e viu o pessoal se mobilizando pra levar mais gente no EREA (Encontro Regional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo) Campinas, em 2003, na mesma cidade que viveria por mais 5 anos. Mas tive três motivos pra isso demorar tanto:
- Sempre tive a impressão que não gostaria de Encontros.
- Toda vez que decidi ir em algum Encontro, peguei exame de projeto ou alguma outra matéria. Foi assim que perdi o ENEA (Encontro Nacional) Brasília 2004, o ENEA SP 2005 e o ENEA Recife em 2006.
- Nunca tive grana pra ir num Encontro, mesmo meu pai jurando que pagaria tudo pra mim (ele sempre curtiu que eu viajasse, seja lá para o que eu quisesse fazer. E eu sempre fui muito orgulhosa de não aceitar nada dele - orgulho que dura até hoje).
Mas sabia que, antes de sair da faculdade, deveria ir em algum Encontro, para ter a vivência, para saber como era, para poder ter uma vida acadêmica completa. Decidi ir no EREA Santos em 2006, depois de guardar alguma grana e abdicar da páscoa com a família de sangue. No penúltimo ano de curso, imaginando que no ano do TFG não iria pensar em mais nada senão em me formar. Não preciso dizer que, naquela época, mesmo fazendo parte do CACAU, fui pra Santos pelo turismo e pelo preço baixo de se dormir acampada. Foi um encontro péssimo, mas como não sou de ligar para conforto, achei tudo ótimo. Fiz amizades com pessoas que veria muito, nos próximos anos.
Porque em setembro desse mesmo ano de 2006, em Campinas, conheci um novo mundo e a real intenção de um encontro. Conheci os esforços, o perrengue de quem toma pra si a responsabilidade de realizar um. Conheci a razão e a história de muitos encontros. Conheci o porquê da necessidade de haver encontros sempre.
De 2006 pra cá, foram 11 Encontros. Em 2007, a 1 semana da primeira entrega do TFG, lá estava em São Carlos. Em julho do mesmo ano, 4 dias depois da entrega do exame do TFG, lá estava eu em Floripa. Depois disso, decidi trancar o curso, viver de viagens e ajudar os mais diversos Encontros que aconteciam pelo país, nos mais diversos lugares. Porque, se era pra ajudar um Encontro acontecer, não me conformei em ajudar só o estado de SP. De norte a sul (literalmente), conheci muitos lugares e, melhor que isso, conheci muitas pessoas que também me ajudaram muito nessa vida. Muito mais do que ajudei a elas.
E, de fato, a impressão se tornou verdade. Nunca gostei muito de Encontro, preferia muito mais os Conselhos. Porque sempre fui nerd e preferia trabalhar muito a somente me divertir (o trabalho todo me divertia muito, por incrível que pareça). Mas, pra quem diz que não gostava de Encontros, acho que esse número tá mais que suficiente (embora o número de Conselhos seja mais que o dobro do número de Encontros, mas isso fica pra alguma próxima postagem).
E pensei em escrever tudo isso depois de um dia inteiro no bar, com duas pessoas da família de coração, contando as inúmeras histórias de Encontros de anos atrás. A trégua durou pouco.
- Sempre tive a impressão que não gostaria de Encontros.
- Toda vez que decidi ir em algum Encontro, peguei exame de projeto ou alguma outra matéria. Foi assim que perdi o ENEA (Encontro Nacional) Brasília 2004, o ENEA SP 2005 e o ENEA Recife em 2006.
- Nunca tive grana pra ir num Encontro, mesmo meu pai jurando que pagaria tudo pra mim (ele sempre curtiu que eu viajasse, seja lá para o que eu quisesse fazer. E eu sempre fui muito orgulhosa de não aceitar nada dele - orgulho que dura até hoje).
Mas sabia que, antes de sair da faculdade, deveria ir em algum Encontro, para ter a vivência, para saber como era, para poder ter uma vida acadêmica completa. Decidi ir no EREA Santos em 2006, depois de guardar alguma grana e abdicar da páscoa com a família de sangue. No penúltimo ano de curso, imaginando que no ano do TFG não iria pensar em mais nada senão em me formar. Não preciso dizer que, naquela época, mesmo fazendo parte do CACAU, fui pra Santos pelo turismo e pelo preço baixo de se dormir acampada. Foi um encontro péssimo, mas como não sou de ligar para conforto, achei tudo ótimo. Fiz amizades com pessoas que veria muito, nos próximos anos.
Porque em setembro desse mesmo ano de 2006, em Campinas, conheci um novo mundo e a real intenção de um encontro. Conheci os esforços, o perrengue de quem toma pra si a responsabilidade de realizar um. Conheci a razão e a história de muitos encontros. Conheci o porquê da necessidade de haver encontros sempre.
De 2006 pra cá, foram 11 Encontros. Em 2007, a 1 semana da primeira entrega do TFG, lá estava em São Carlos. Em julho do mesmo ano, 4 dias depois da entrega do exame do TFG, lá estava eu em Floripa. Depois disso, decidi trancar o curso, viver de viagens e ajudar os mais diversos Encontros que aconteciam pelo país, nos mais diversos lugares. Porque, se era pra ajudar um Encontro acontecer, não me conformei em ajudar só o estado de SP. De norte a sul (literalmente), conheci muitos lugares e, melhor que isso, conheci muitas pessoas que também me ajudaram muito nessa vida. Muito mais do que ajudei a elas.
E, de fato, a impressão se tornou verdade. Nunca gostei muito de Encontro, preferia muito mais os Conselhos. Porque sempre fui nerd e preferia trabalhar muito a somente me divertir (o trabalho todo me divertia muito, por incrível que pareça). Mas, pra quem diz que não gostava de Encontros, acho que esse número tá mais que suficiente (embora o número de Conselhos seja mais que o dobro do número de Encontros, mas isso fica pra alguma próxima postagem).
E pensei em escrever tudo isso depois de um dia inteiro no bar, com duas pessoas da família de coração, contando as inúmeras histórias de Encontros de anos atrás. A trégua durou pouco.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O trânsito e suas variáveis
Antes de ir pra Campinas, e um tempo depois que voltei de lá, morei perto do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, 17km do centro. Morava próximo à represa do Guarapiranga, dependendo sempre do transporte público caótico da cidade. Acho que conheci bem as mazelas da periferia da cidade.
Dentre muitos outros problemas, a distância de tudo era um dos fatores que me fazia ficar em Campinas por meses até voltar pra visitar os pais. Sair com os amigos, só se pudesse dormir na casa deles depois do bar, porque voltar pra casa era inconcebível – por causa dos ônibus que paravam de rodar à meia-noite, por causa da violência do bairro onde morava, por causa da distância. De modo que eu quase nunca saía de noite, e preferia ir aos bares de dia mesmo, pra voltar bêbada às 22h.
Quando voltei de Campinas, voltei também a morar com os pais, coisa que mudaria assim que tivesse um trampo bom e fixo pra poder me sustentar. De primeira, consegui um trabalho na Vila Madalena. Era uma hora e meia pra ir e pra voltar, pegando trânsito insuportável da marginal e ônibus muito, muito cheios. Era um martírio, mas o trabalho e a hora do almoço compensavam bem.
Saí de lá, e logo emendei no trampo em Embu. A vida ficou um pouco mais tranqüila, porque de casa pra Embu demorava menos de uma hora, mesmo pegando dois ônibus por dia pra ir e voltar. Conheci outra parte de São Paulo, e só aí reparei que morava quase na divisa entre São Paulo e Itapecerica da Serra, bem perto de Embu.
Às vezes me dava ao luxo de pegar um metrô pra andar uma estação, e foi nessa vida que percebi que a linha lilás do metrô não era tão inútil quanto eu pensava. Eu, que dizia que a linha ligava o nada ao lugar nenhum, tive de morder a língua, porque era muita gente, às sete da manhã, dependendo dela pra ir trabalhar em Santo Amaro, em Itapecerica, em Embu. A minha sorte é que esse monte de gente pegava o caminho oposto ao meu, logo eu não sofria mais com ônibus cheio nem com trânsito congestionado. O que eu nunca pensei que ia acontecer na minha vida paulistana.
Quando mudei pro Anhangabaú, a distância pra Embu aumentou consideravelmente, mas o tempo continuou aceitável. Do centro de uma cidade a outra são 40km, que faço em uma hora e vinte minutos, pegando dois ônibus. Sem trânsito nenhum na ida, um pouco mais carregado na volta, mas nada que faça alguém ficar nervoso – a não ser quando chove muito, como nessa segunda-feira. Novamente, peguei o contra-fluxo de tudo, e a vida no transporte continuou tranqüila.
O melhor de tudo é que, mesmo “longe” do trabalho – demorava mais pra percorrer 14km dentro de São Paulo do que 40km, passando por duas cidades – fiquei mais perto de tudo. Dos bares, da vida cultural, dos amigos. E realizei um sonho que alimentava desde criança. É bom demais sair prum bar na noite de uma quarta-feira e poder dormir em casa. Bom demais ver o vale do Anhangabaú da janela de casa. Bom demais ter o barulho do trânsito constante na orelha.
Dentre muitos outros problemas, a distância de tudo era um dos fatores que me fazia ficar em Campinas por meses até voltar pra visitar os pais. Sair com os amigos, só se pudesse dormir na casa deles depois do bar, porque voltar pra casa era inconcebível – por causa dos ônibus que paravam de rodar à meia-noite, por causa da violência do bairro onde morava, por causa da distância. De modo que eu quase nunca saía de noite, e preferia ir aos bares de dia mesmo, pra voltar bêbada às 22h.
Quando voltei de Campinas, voltei também a morar com os pais, coisa que mudaria assim que tivesse um trampo bom e fixo pra poder me sustentar. De primeira, consegui um trabalho na Vila Madalena. Era uma hora e meia pra ir e pra voltar, pegando trânsito insuportável da marginal e ônibus muito, muito cheios. Era um martírio, mas o trabalho e a hora do almoço compensavam bem.
Saí de lá, e logo emendei no trampo em Embu. A vida ficou um pouco mais tranqüila, porque de casa pra Embu demorava menos de uma hora, mesmo pegando dois ônibus por dia pra ir e voltar. Conheci outra parte de São Paulo, e só aí reparei que morava quase na divisa entre São Paulo e Itapecerica da Serra, bem perto de Embu.
Às vezes me dava ao luxo de pegar um metrô pra andar uma estação, e foi nessa vida que percebi que a linha lilás do metrô não era tão inútil quanto eu pensava. Eu, que dizia que a linha ligava o nada ao lugar nenhum, tive de morder a língua, porque era muita gente, às sete da manhã, dependendo dela pra ir trabalhar em Santo Amaro, em Itapecerica, em Embu. A minha sorte é que esse monte de gente pegava o caminho oposto ao meu, logo eu não sofria mais com ônibus cheio nem com trânsito congestionado. O que eu nunca pensei que ia acontecer na minha vida paulistana.
Quando mudei pro Anhangabaú, a distância pra Embu aumentou consideravelmente, mas o tempo continuou aceitável. Do centro de uma cidade a outra são 40km, que faço em uma hora e vinte minutos, pegando dois ônibus. Sem trânsito nenhum na ida, um pouco mais carregado na volta, mas nada que faça alguém ficar nervoso – a não ser quando chove muito, como nessa segunda-feira. Novamente, peguei o contra-fluxo de tudo, e a vida no transporte continuou tranqüila.
O melhor de tudo é que, mesmo “longe” do trabalho – demorava mais pra percorrer 14km dentro de São Paulo do que 40km, passando por duas cidades – fiquei mais perto de tudo. Dos bares, da vida cultural, dos amigos. E realizei um sonho que alimentava desde criança. É bom demais sair prum bar na noite de uma quarta-feira e poder dormir em casa. Bom demais ver o vale do Anhangabaú da janela de casa. Bom demais ter o barulho do trânsito constante na orelha.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Sobre abraços
Eu não tenho uma memória muito boa, em nenhum sentido. Muitas vezes esqueço tanto coisas importantes que me dizem quanto as besteiras de cada dia. E não é maldade, é esquecimento mesmo. Na hora presto muita atenção e sei reconhecer o devido valor, mas às vezes não dura muito ou quase nada.
Mas uma coisa que eu sempre lembro são os abraços. Lembro exatamente cada abraço bacana que recebi. A data, o local e o motivo. Como por exemplo, no abril de 2007, em São Carlos; em Maceió, em janeiro de 2008. Em Campinas, em setembro de 2007, em fevereiro de 2008 e em agosto de 2009. Em Ribeirão Preto, em novembro de 2008; em Uberlândia, em setembro de 2007.
Uma vez, conversando com uma amiga em Campinas, ela me disse [enquanto me mostrava a coleção de crachás dela] que uma das melhores coisas que ela tinha aprendido foi abraçar os amigos. Ela conseguiu traduzir bem o que eu já tinha sacado a um certo tempo, mas nunca tinha parado pra pensar sobre.
O que me fez pensar que um abraço é a coisa mais íntima que duas pessoas podem ter. Porque é nele que vc tem a real medida da energia que se passa de uma pessoa a outra. É no abraço que vc sabe a essência de cada um. E é no abraço que vc tem certeza do quanto aquela pessoa vai te marcar pelo resto da vida, mesmo que a própria vida faça com que uma suma da vida da outra.
[texto escrito a um tempo já, mas deu vontade de colocar aqui.]
Mas uma coisa que eu sempre lembro são os abraços. Lembro exatamente cada abraço bacana que recebi. A data, o local e o motivo. Como por exemplo, no abril de 2007, em São Carlos; em Maceió, em janeiro de 2008. Em Campinas, em setembro de 2007, em fevereiro de 2008 e em agosto de 2009. Em Ribeirão Preto, em novembro de 2008; em Uberlândia, em setembro de 2007.
Uma vez, conversando com uma amiga em Campinas, ela me disse [enquanto me mostrava a coleção de crachás dela] que uma das melhores coisas que ela tinha aprendido foi abraçar os amigos. Ela conseguiu traduzir bem o que eu já tinha sacado a um certo tempo, mas nunca tinha parado pra pensar sobre.
O que me fez pensar que um abraço é a coisa mais íntima que duas pessoas podem ter. Porque é nele que vc tem a real medida da energia que se passa de uma pessoa a outra. É no abraço que vc sabe a essência de cada um. E é no abraço que vc tem certeza do quanto aquela pessoa vai te marcar pelo resto da vida, mesmo que a própria vida faça com que uma suma da vida da outra.
[texto escrito a um tempo já, mas deu vontade de colocar aqui.]
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Campinas, de novo
Voltei à Campinas, por conta de um concurso que nos custou caro, mas que tá valendo cada discussão. Com dois membros originais do time, mais um amigo pronto a dar palpites e mostrar uma outra visão de projeto.
Foi bom voltar lá pela demanda da vida grande, pra ver amigos da faculdade. Foi bom ter visto o desespero deles por projetos que agora me parecem tão banais, mas que eu sei a importância de se passar por essa aflição. Foi bom ter voltado e ficado realmente na cidade, e não enfurnada numa sala de aula por dois dias, ter visto a cidade que tanto me acrescentou, com outra visão. E com o saudosismo inerente. Foi bom ter encontrado minha mãe.
Acho que foi nessa última viagem que reparei a importância que Campinas teve na minha vida. Relembrei vários momentos, desde quando fui pela primeira vez, em 2001 ainda, pra prova de aptidão em Arquitetura, até a despedida no Largo do Carmo com amigos recém-feitos, que me substituiriam no escritório. Lembrei dos projetos feitos, das caminhadas no sol a pino, das bebedeiras constantes, dos ônibus que mudavam frequentemente o itinerário. Das praças, das ruas, das pessoas. Do peso e da responsabilidade de estudar e trabalhar, quase não tendo tempo para mim mesma. De morar em comunidade, às vezes dando certo, às vezes dando bem errado.
Campinas, quem diria, virou uma das minhas cidades favoritas.
Foi bom voltar lá pela demanda da vida grande, pra ver amigos da faculdade. Foi bom ter visto o desespero deles por projetos que agora me parecem tão banais, mas que eu sei a importância de se passar por essa aflição. Foi bom ter voltado e ficado realmente na cidade, e não enfurnada numa sala de aula por dois dias, ter visto a cidade que tanto me acrescentou, com outra visão. E com o saudosismo inerente. Foi bom ter encontrado minha mãe.
Acho que foi nessa última viagem que reparei a importância que Campinas teve na minha vida. Relembrei vários momentos, desde quando fui pela primeira vez, em 2001 ainda, pra prova de aptidão em Arquitetura, até a despedida no Largo do Carmo com amigos recém-feitos, que me substituiriam no escritório. Lembrei dos projetos feitos, das caminhadas no sol a pino, das bebedeiras constantes, dos ônibus que mudavam frequentemente o itinerário. Das praças, das ruas, das pessoas. Do peso e da responsabilidade de estudar e trabalhar, quase não tendo tempo para mim mesma. De morar em comunidade, às vezes dando certo, às vezes dando bem errado.
Campinas, quem diria, virou uma das minhas cidades favoritas.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Mais um pouco de Embu
Em dois meses e meio convivendo mais em Embu do que em São Paulo, acho que já dá pra fazer uma breve análise menos superficial da cidade que me mantém.
Embu é uma cidade de médio porte, com cerca de 250 mil habitantes. A atividade básica que mantém a cidade é o artesanato, motivo pela qual é reconhecida mundialmente. E isso não é exagero, já que mesmo em dias de semana eu vejo muitos gringos na cidade, tirando fotos e comprando arte. O forte, mesmo, são os fins de semana, onde o turismo é maior, prioritariamente no centro histórico da cidade. A feira de artesanato acontece lá há 40 anos.
Além dos problemas de urbanização na periferia, Embu tem cerca de 70% de sua área comprometida como área de proteção ambiental. O que causou grandes transtornos ao governo do estado para poder implantar a fase sul do rodoanel, que também passa pela cidade. Embu já foi considerada um dos municípios mais perigosos do estado, situação que durou até cerca de 2001 e que vem sendo amenizada até agora. De fato, a segurança é bem maior agora do que há 13 anos, quando fui visitar pela primeira vez a cidade na companhia dos meus pais.
Toda essa situação de melhoria fez com que a população visse a administração local como a responsável por todos os problemas que surjam, mesmo quando a culpa é do próprio morador da cidade. A população se acostumou a ver a administração como meramente assistencialista, e se nega a ser parte fundamental e responsável também pela solução dos problemas. Claro que isso, genericamente falando. Alguns bairros ainda têm a consciência de que são tão ou mais responsáveis do que o poder público.
Em palavras rápidas, isso é o que vejo de Embu nas minhas viagens diárias e no dia-a-dia.
Embu é uma cidade de médio porte, com cerca de 250 mil habitantes. A atividade básica que mantém a cidade é o artesanato, motivo pela qual é reconhecida mundialmente. E isso não é exagero, já que mesmo em dias de semana eu vejo muitos gringos na cidade, tirando fotos e comprando arte. O forte, mesmo, são os fins de semana, onde o turismo é maior, prioritariamente no centro histórico da cidade. A feira de artesanato acontece lá há 40 anos.
A cidade é cortada pela rodovia Regis Bittencourt (BR 116), e dependendo de onde vc está é normal ouvir a expressão “do lado de lá da rodovia”. Os acessos a partir de São Paulo são feitos tanto pela zona oeste (avenida Francisco Morato, passando por Taboão da Serra) ou pela zona sul (estrada de Itapecerica, passando por Itapecerica da Serra, ou estrada do Campo Limpo, que também passa por Taboão da Serra). Não é a tarefa mais fácil do mundo ir pra Embu por meio de transporte público, situação que tende a melhorar com a inauguração da linha amarela do metrô.
Mas, como nem tudo são flores, Embu carrega nas costas vários problemas, como não poderia deixar de ser. A imagem bonita do centro é facilmente esquecida quando se visita os demais bairros da cidade, com suas ocupações irregulares e favelas com esgoto a céu aberto. Trabalhando numa companhia pública de habitação, fica fácil ver todos os problemas de arquitetura e urbanismo da cidade. A periferia carece de muitas condições básicas de moradia, embora a situação tenha melhorado muito nesse meio tempo, pelo que vejo das fotos e das declarações dos próprios moradores de lá.Além dos problemas de urbanização na periferia, Embu tem cerca de 70% de sua área comprometida como área de proteção ambiental. O que causou grandes transtornos ao governo do estado para poder implantar a fase sul do rodoanel, que também passa pela cidade. Embu já foi considerada um dos municípios mais perigosos do estado, situação que durou até cerca de 2001 e que vem sendo amenizada até agora. De fato, a segurança é bem maior agora do que há 13 anos, quando fui visitar pela primeira vez a cidade na companhia dos meus pais.
Toda essa situação de melhoria fez com que a população visse a administração local como a responsável por todos os problemas que surjam, mesmo quando a culpa é do próprio morador da cidade. A população se acostumou a ver a administração como meramente assistencialista, e se nega a ser parte fundamental e responsável também pela solução dos problemas. Claro que isso, genericamente falando. Alguns bairros ainda têm a consciência de que são tão ou mais responsáveis do que o poder público.
Em palavras rápidas, isso é o que vejo de Embu nas minhas viagens diárias e no dia-a-dia.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Belo Horizonte
Mais um Encontro na lembrança. Só mais um dos 11 que fui em 3 anos. Não foi o melhor, e tá pendendo pra ser um dos piores. O que sempre salva, obviamente, são os amigos.
O problema é que, com tantos conhecidos lá, não deu pra ver todos. Ainda mais aproveitando somente 2 dias de Encontro. No fim, fiquei bebendo o dia inteiro todo dia com os mais chegados. Falando besteira, esquecendo diálogos, relembrando tempos antigos, e trabalhando.
E, com o fim desse Encontro, vieram outros mil pensamentos, como era de se esperar. Além dos sentimentos de vazio, de ostracismo, de saudades e de fim. Fim esse que, na verdade, só acontece daqui a 20 dias, na mesma cidade do início.
O problema é que, com tantos conhecidos lá, não deu pra ver todos. Ainda mais aproveitando somente 2 dias de Encontro. No fim, fiquei bebendo o dia inteiro todo dia com os mais chegados. Falando besteira, esquecendo diálogos, relembrando tempos antigos, e trabalhando.
E, com o fim desse Encontro, vieram outros mil pensamentos, como era de se esperar. Além dos sentimentos de vazio, de ostracismo, de saudades e de fim. Fim esse que, na verdade, só acontece daqui a 20 dias, na mesma cidade do início.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Autobahn
Muito recompensador voltar do trabalho numa sexta-feira ouvindo Autobahn (Kraftwerk) enquanto o ônibus trafega num pedaço da BR 116.
Primeira semana de muitas alegrias e emoções no trampo e na vida. O equilíbrio permanece na vida, coisas muito boas com coisas muito ruins ao mesmo tempo. Mas, mesmo assim, não reclamo dessa vida não, que finalmente tá tomando um rumo bom, apesar de tudo.
Primeira semana de muitas alegrias e emoções no trampo e na vida. O equilíbrio permanece na vida, coisas muito boas com coisas muito ruins ao mesmo tempo. Mas, mesmo assim, não reclamo dessa vida não, que finalmente tá tomando um rumo bom, apesar de tudo.
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