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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Como sair de Embu num temporal

Não é novidade que eu trabalho em Embu. E não é novidade que eu moro no centro de São Paulo. 40km de distância, que geralmente percorro em uma hora e vinte minutos, na volta. Sem trânsito e sem congestionamento, dá quarenta minutos. Coisa tranquila de se conviver.

Hoje, toda a água do mundo resolveu desabar em São Paulo e redondezas (Embu incluso). O ônibus que eu pego passa pelo largo do Taboão que, apesar do mega piscinão [obra tosquíssima] à ceu aberto, não é capaz de amenizar em dias de chuvas tranquilas. Imagine em chuva forte, como foi hoje. Resultado: nenhum ônibus que passa por lá estava chegando em Embu. O Clínicas, que passa a cada 20 minutos, passou uma vez em uma hora. O São Marcos, que passa seis por hora, hoje passou só uns dois.

Lógico que o Anhangabaú não ia passar na hora, mas resolvi esperar uma hora. Às 19h, ligo pra minha mãe pra ter notícias, e ela me diz pra evitar de qualquer forma a Rebouças. Minha segunda opção ia pro espaço. Não me sobrou outra alternativa senão pegar o Campo Limpo, que estava no horário, vazio e sem trânsito.

[Pra quem não conhece São Paulo e arredores, sugiro seguir o mapa abaixo]

Mapa da rede ferroviária de São Paulo

Meu objetivo era chegar no metrô, de preferência da linha vermelha. E aí começou a maior volta que já dei por São Paulo. Às 19:15, segui de Embu a Campo Limpo, e, de fato, foi tranquilo. Em 40 minutos, lá estava eu perto de onde morava. De Campo Limpo, segui pra Santo Amaro, de metrô. 5 minutos (ou menos). O inferno começou em Santo Amaro, onde tive de esperar 40 minutos pra pegar o trem até Presidente Altino (Osasco). Quando pego, o trem resolve ficar extremamente cheio a cada parada. E com intervalos gigantes entre uma estação e outra. A sorte é que o povo tava bem humorado e não houve nada de discussões, empurra-empurra e tudo mais. Era possível até ler livro em pé, ou conversar de boa. Enfim, a viagem durou uma hora. 21:40, lá estava eu em Osasco, esperando o trem pra Barra Funda. Uma pequena espera, 15 minutos de viagem. Da Barra Funda, tinha ainda a derradeira viagem, de metrô, de novo. Quatro estações, e finalmente chegava ao centro de São Paulo, às 22:10.

Se conseguiu acompanhar a viagem, percebeu que fui da zona oeste da região metropolitana pra zona sul, voltei à zona oeste (demorei 2 horas pra ir e voltar basicamente ao mesmo lugar) e só depois fui pro centro. No fim, era mais fácil ter ido pra Itapevi e pegar o trem de lá até Barra Funda....mas como fiquei por dentro do trajeto só agora, não adiantava muito. Fica como sugestão pra próxima enxurrada. Porque passar de novo por 4 cidades pra chegar em casa, só quando a grana realmente apertar (gastei só 3,55 pra dar toda essa volta).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O trânsito e suas variáveis

Antes de ir pra Campinas, e um tempo depois que voltei de lá, morei perto do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, 17km do centro. Morava próximo à represa do Guarapiranga, dependendo sempre do transporte público caótico da cidade. Acho que conheci bem as mazelas da periferia da cidade.

Dentre muitos outros problemas, a distância de tudo era um dos fatores que me fazia ficar em Campinas por meses até voltar pra visitar os pais. Sair com os amigos, só se pudesse dormir na casa deles depois do bar, porque voltar pra casa era inconcebível – por causa dos ônibus que paravam de rodar à meia-noite, por causa da violência do bairro onde morava, por causa da distância. De modo que eu quase nunca saía de noite, e preferia ir aos bares de dia mesmo, pra voltar bêbada às 22h.

Quando voltei de Campinas, voltei também a morar com os pais, coisa que mudaria assim que tivesse um trampo bom e fixo pra poder me sustentar. De primeira, consegui um trabalho na Vila Madalena. Era uma hora e meia pra ir e pra voltar, pegando trânsito insuportável da marginal e ônibus muito, muito cheios. Era um martírio, mas o trabalho e a hora do almoço compensavam bem.

Saí de lá, e logo emendei no trampo em Embu. A vida ficou um pouco mais tranqüila, porque de casa pra Embu demorava menos de uma hora, mesmo pegando dois ônibus por dia pra ir e voltar. Conheci outra parte de São Paulo, e só aí reparei que morava quase na divisa entre São Paulo e Itapecerica da Serra, bem perto de Embu.

Às vezes me dava ao luxo de pegar um metrô pra andar uma estação, e foi nessa vida que percebi que a linha lilás do metrô não era tão inútil quanto eu pensava. Eu, que dizia que a linha ligava o nada ao lugar nenhum, tive de morder a língua, porque era muita gente, às sete da manhã, dependendo dela pra ir trabalhar em Santo Amaro, em Itapecerica, em Embu. A minha sorte é que esse monte de gente pegava o caminho oposto ao meu, logo eu não sofria mais com ônibus cheio nem com trânsito congestionado. O que eu nunca pensei que ia acontecer na minha vida paulistana.

Quando mudei pro Anhangabaú, a distância pra Embu aumentou consideravelmente, mas o tempo continuou aceitável. Do centro de uma cidade a outra são 40km, que faço em uma hora e vinte minutos, pegando dois ônibus. Sem trânsito nenhum na ida, um pouco mais carregado na volta, mas nada que faça alguém ficar nervoso – a não ser quando chove muito, como nessa segunda-feira. Novamente, peguei o contra-fluxo de tudo, e a vida no transporte continuou tranqüila.

O melhor de tudo é que, mesmo “longe” do trabalho – demorava mais pra percorrer 14km dentro de São Paulo do que 40km, passando por duas cidades – fiquei mais perto de tudo. Dos bares, da vida cultural, dos amigos. E realizei um sonho que alimentava desde criança. É bom demais sair prum bar na noite de uma quarta-feira e poder dormir em casa. Bom demais ver o vale do Anhangabaú da janela de casa. Bom demais ter o barulho do trânsito constante na orelha.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Caos

Faz pouco mais de 2 meses que tô em São Paulo. Faz pouco mais de um mês que tô trabalhando na Vila Madalena. Então, faz pouco mais de um mês que tô sofrendo com o trânsito e o excesso de pessoas no ônibus que pego.


Tá, eu sei que moro longe pra caramba. E sei que o caminho pela marginal Pinheiros é um tanto carregado demais, mas fica mais perto. De manhã demoro cerca de uma hora e quinze minutos pra chegar. De tarde/noite, cerca de uma hora. Isso saindo depois das 19h. Quase 23 quilômetros de distância.

O que me impressiona é o tanto de gente que pode caber num ônibus. Quando faço a besteira de ir embora mais cedo, cabe quase 200 pessoas num ônibus bi-articulado. Que chega a ter mais de 200 depois que passa pela avenida Cidade Jardim.

Me impressiona também o comodismo da galera. Ninguém parece ligar pra ir em pé super apertado pra ir trabalhar. Há os que ficam horas, esperam 5 levas de ônibus pra poder ir tranquilo. E consequentemente chegar tarde no trabalho. Mas ninguém reclama, acham natural. Lembro que antes de ir pra Campinas, não era tão assim. Uma época, os ônibus eram vazios e iam bem rápido. Meu pai diz que o governo da direita que faz isso. Vendo o retrospecto, concordo.

Mas também não sei ver uma solução rápida e/ou viável. E fico pensando nisso todo dia, nas duas horas que perco nos ônibus. Um bom exercício de Urbanismo num ócio imposto.

Enfim, é o caos. Generalizado. Isso é São Paulo. E enquanto eu morar na periferia, vai ser isso todo dia. Ainda tô formulando um jeito de reclamar de modo coerente disso tudo pros órgãos competentes. Ou pra alguma rádio mesmo.

Ou faço como meu irmão e fujo prum lugar mais central, esquecendo tudo e vivendo minha vida confortável. Embora mais fácil, não é uma solução que vejo pra mim. Não me pergunte porquê.