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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um conto paulistano


Eu quase nunca faço questão de defender meus pontos de vista. Julgo que estou sempre certa, e que as pessoas vão me entender de qualquer jeito.

Ela faz questão de provar por A+B como estou errada e em qual momento eu perdi, de um jeito tão acintoso que me perco mais ainda.

Eu sou da cultura inútil, dos quadrinhos, das bandas de rock dos anos 60. De falar besteira e de não me importar muito com teorias políticas.

Ela é do marxismo, da literatura política, do pagode. De comentar tão apaixonadamente sobre política, capitalismo, comunismo, que é difícil não gostar da conversa.

Não são tantas coisas em comum, mas só sei que aprender tudo isso e me perder, cada dia mais, a cada conversa, a cada gesto, a cada discussão, a cada sorriso, tem feito minha vida mais feliz a cada dia.

Um mês de deriva que me fez descobrir o que sou, que me fez ver o quanto sou ignorante, o quanto sou teimosa. Mas que também me fez descobrir o zelo, o carinho, a felicidade, a cumplicidade.

E sigo (me) perdendo, como nunca aconteceu na vida. E descobrindo o quanto gosto disso.

sábado, 30 de junho de 2012

A dor da perda de amizades

Hoje soube que uma grande amiga minha estava em São Paulo. Ela mora em outra cidade. Sempre que nos falávamos por e-mails, dizíamos a velha expressão corriqueira: "Quando aparecer por aqui, me avisa!". Tanto eu pra ela, quanto ela pra mim. A expressão é corriqueira, mas vem carregada de saudades e de ansiedade. É verdadeira, de coração, e eu achava que pelo menos meus amigos levariam a sério.

Mas essa minha amiga não levou. Soube por outros amigos que ela estava a menos de um quilômetro da minha casa. Soube, também, que ela estava na companhia de um dos meus piores desafetos. E, me disseram que talvez por isso ela não tinha me ligado, ou me avisado.

Daí me lembrei de que, desde o dia que desmascarei o cara para todo mundo e mostrei o quanto ele era anti-ético, ela brigou comigo. Disse que tinha de ter conversado com ele antes, que não concordava com a minha posição. Até aí, tudo bem porque politicamente a gente não se dava bem mesmo. Ela sempre questionava posições e ações políticas, desde a faculdade, mas isso nunca foi impeditivo para perdermos a amizade.

Mas, dessa vez, parece que a amizade acabou de vez. Parece que o anti-ético ganhou bem a simpatia e confiança dela. E, dessa vez, parece que ficar ao lado dele é estar contra mim. Eu não consigo manter contato com ela, enquanto ele se desfruta da ótima companhia dela bem mais que eu.

Foi a segunda vez que perdi uma amiga querida. Ainda me lembro bem da primeira vez. Mas, como da outra vez, a ausência delas foi, de certa forma, compensada por outras ótimas pessoas. Nas as substituem, mas me fazem crescer, me fazem rir, me ensinam, me acolhem.

Sinto bastante a falta delas. Me faz mal comparar o passado e o presente. De uma forma muito dura, aprendi a valorizar e dar os devidos créditos ao passado, e seguir em frente.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Pedreiros

Voltei a Embu, voltei a visitar as obras e as favelas.
Mas só por um dia.
Que foi suficiente para muitas emoções pelo resto da vida.
No começo da semana disse a uma amiga que tinha muito orgulho de ter trabalhado lá.
Hoje me senti novamente muito feliz, mesmo com os mesmos problemas de quando estava lá.
Porque ver a alegria dos pedreiros me renovou muita coisa quase esquecida.
Ver a felicidade deles me mexeu mais que a alegria dos novos e antigos moradores do Valo Verde. Mais que o jogo de futebol com os filhos de uma delas.
Os pedreiros ficaram felizes pela minha rápida visita a eles. Não sei o que achavam de mim, mas eles, de fato, me ajudaram muito no meu começo de experiência de obras. Sempre pacientes, sempre solícitos.
Me defenderam quando eu estava sem forças, quando recebi acusações injustas.
Todos, com mais de sessenta anos, me abraçaram hoje como se fosse uma da família deles.
Rimos com as conversas e com as piadas que nem parece que em algum lugar ainda existe a hierarquia pedreiro-mestres de obra-arquitetos.
Acho que nunca fiquei tão feliz.
Porque, no fim, eles eram os protagonistas. Eram quem traduziam minhas "ordens" (ou sugestões) em um trabalho impecável.
Sempre os tratei com nenhuma hierarquia. Pedia um serviço como quem pede um favor a um amigo.
E eles, sempre me tratando com respeito.
Um deles me repetiu hoje a mesma coisa de quando eu saí: "Você nos trata bem, não é desses que não se mistura com a gente."
Fiquei feliz pelo máximo que pude fazer. E sei que poderia ter feito mais. Pena que minha fraqueza foi maior.
Mas hoje, pelo jeito, sei que fiz alguma diferença na vida deles.
E sei que eles fizeram na minha também.
Todos me desejaram muito sucesso na vida. Todos me abençoaram, via deus. Não sei se consigo retribuir na mesma moeda, mas sei que eles serão sempre muito queridos por mim.

Ir pra Embu sempre me afeta muito. Sempre me transforma numa pessoa melhor.
Acho que vou sempre precisar de idas pra lá.
Porque, mesmo com os problemas, mesmo não conseguindo resolver nada, mesmo que eu tenha saído de forma abrupta e, em parte, contra a vontade, Embu fez a diferença em mim. E vai ser sempre uma das melhores experiências que tive. Porque o aprendizado e as amizades verdadeiras foram infinitamente maiores e melhores que os problemas pelos quais passei.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre chefes

Eu tive dois empregos que me marcaram muito nessa vida, até agora.

Um foi em Campinas, ainda como estudante de Arquitetura, num escritório que fazia projetos de iluminação. Antes de ir pra lá, eu trabalhei numa assistência técnica a uma grande empresa de luminárias. Fazia projetos pro Brasil inteiro. Um dia me cansei, fiquei de molho um mês em casa, depois fiquei cerca de 3 meses num escritório fajuto de arquitetura, e logo fui chamada por um colega para ajudá-lo no escritório que ele havia recém-aberto. Só trabalhava com iluminação, e como era eu, ele e mais um instalador eletricista, tínhamos isonomia total. Quando o negócio tava dando muito certo, eu fazia alguns projetos e meu "chefe" fazia outros. Tudo era decidido coletivamente, desde o orçamento a ser entregue ao cliente quanto às soluções de projeto. As reuniões com os cliente ficavam a cargo do chefe, com muito mais lábia que eu, e a mim cabia convencer o cliente através da matemática e dos programas específicos. O salário não era típico de estagiário, eu recebia quase que como profissional recém-formado. Me bancava o aluguel e as cervejas, e isso me bastava. Fiquei lá de 2005 a 2008, até me formar e decidir voltar pra São Paulo.

O outro trampo foi mais tarde, em 2009. Funcionária pública da cidade de Embu das Artes, trabalhando diretamente com coordenação de obras - principalmente - e muitas outras coisas secundárias, envolvendo favelas e habitação de interesse social. Fazia de tudo um pouco, mas ainda com a mesma isonomia do trabalho de Campinas, sendo este conquistado com muito trabalho. Foi lá que firmei em mim mesma minhas convicções políticas, foi lá que me desapeguei de muita coisa, foi lá que vivi com o mínimo possível morando de aluguel e ainda pagando minhas cervejas, morando no centro de São Paulo. Ainda era o que bastava à minha vida. Desse emprego já falei muito por aqui.

O que tem de comum nos dois lugares era a confiança dos chefes e a isonomia, cada um fazendo sua parte para o todo, cada um de nós contribuindo no melhor que podiam. De modo que, quando chamo de "chefe" cada um deles, nada mais é que uma maneira irônica de chamá-los, já que de forma alguma eram chefes no modo hierárquico de se resolver a vida profissional. Eram colegas e, antes de tudo, amigos que me ajudavam de toda forma possível. Me ouviam, me davam conselhos, me davam cerveja e me faziam rir e refletir através das inúmeras histórias. Cada um a seu jeito. E que sabiam confiar, delegar tarefas e passar responsabilidade como se fôssemos todos iguais. E éramos. Bons tempos...!

E me coloquei a postar isso hoje porque, depois de 4 anos, revi meu chefe de Campinas, com a banda dele aqui em São Paulo, onde colocamos a conversa em dia, rimos bastante e me bateu uma baita saudade da vida campineira muito tranquila e cheia de responsabilidades, ainda assim.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mais uma história de resistência


No dia que aconteceu tudo de pior no Pinheirinho, em São José dos Campos (ocupação em terreno ocioso de um pilantra imbecil que tem costas-quentes num governo louco por poder e que adora bater – literalmente - em quem atrapalha seu caminho), eu estava em Embu das Artes, de volta por um dia. Fui ajudar uma amiga numa pesquisa envolvendo as casas do pessoal reassentado em três projetos habitacionais de lá (no qual tive prazer de conhecer tanto a obra quanto os moradores, na minha passagem de dois nos por lá).

Cheguei em casa à meia-noite com um misto de alegria e de saudade. Feliz demais com o dia. Mas dou uma zapeada pelo facebook e leio milhares de mensagens sobre a violência covarde da PM em São José dos Campos. O que me fez escrever a história de um morador do Valo Verde, um dos locais de intervenção urbanística e habitacional que eu mais frequentava em Embu (e o que eu mais gostava - ainda gosto até hoje).

O Valo Verde era um dos lugares mais perigosos de Embu na década de 70 até o fim dos anos 90 [Embu das Artes era sinônimo de desova de corpos, ironicamente conhecida também pela feirinha de artes]. O Valo era uma favela sem as mínimas condições de habitabilidade. Barraco em cima de barraco, com o agravante de estarem próximos a um córrego que era o esgoto a céu aberto.

[Não conheci o bairro naquela época, mas quando ajudei na mudança do lugar onde trabalhei, achei uma caixa cheia de fotos e notícias do lugar, as quais fiquei horas olhando enquanto deixava a chefe na mão durante a mudança. E é essa a impressão que tenho de lá, naquele tempo].

Em cima da favela, na parte mais alta, a CDHU era - e ainda é - dona de um grande terreno, e queria fazer mais prédios por lá. Para fazer a obra, era necessário “limpar” o lugar para construir um muro de arrimo gigantesco. O “limpar” era retirar o pessoal da favela.

Um dia os moradores são surpreendidos por uma cavalaria da polícia militar e cerca de 20 caminhões-baú, para remover toda aquela gente de lá. Uma baita de uma confusão se instaurou no lugar, com os policiais querendo tirar o povo, e um vereador novato fazendo a negociação com o chefe da operação. Alguns moradores se exaltaram e brigaram com a polícia, mas não foram bem sucedidos. Ao fim, negociaram e deixaram a população lá. Não haveria reintegração de posse (nem deveria, o terreno que queriam limpar era – e ainda é – municipal).

O governo estadual teve a derrota. Governo, na época, de Mário Covas.

Mas isso não era sinal de calma. Por muitos dias a polícia aparecia insistentemente na área, causando medo na população, mesmo sem fazer nada fisicamente. Alguns dias depois, alguém do governo municipal apareceu por lá e pediu pra montar uma comissão urgente de três representantes da favela, para irem a uma reunião na CDHU exporem seu ponto de vista e pressionarem por paz. Um dos integrantes era o morador que me contou essa história. Ele me diz que foram à CDHU (que na época era na avenida Nove de Julho) e lá soube que o dirigente com quem conversaram tinha dito que já havia feito acordo com o município e não teria nenhuma ação por conta deles. A favela estava salva.

O fato é que a CDHU construiu mais prédios na área, não fez remoções indevidas, o município passou a investir um pouco mais no local e hoje, me dizem, o Valo Verde é um paraíso perto do que era.

Valo Verde - em 2003 e em 2007

Coincidentemente, soube dessa história no mesmo dia da covardia em São José dos Campos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Hora do balanço de 2011


Ano que conheci muitas favelas. E, de quebra, muitas vidas e muitas histórias. Que trabalhei nelas com um prazer imenso (em feriados, sábados e domingos). Que conheci arquitetas ótimas – inclusive ganhando uma co-orientadora. Que reafirmou em mim mesma o que quero da vida. Quem me vê hoje mal sabe o quanto da vida nesse ano me dediquei ao trabalho. E, quem sabe, ano que vem volte a esta rotina.

Ano que decidi sair de Embu, mesmo gostando muito das pessoas de lá. A politicagem falou mais alto, meu sangue subiu e não consegui ficar com a cabeça tranquila. Foi um mal extremamente necessário. Ano que reafirmei minhas convicções políticas, mesmo não podendo segui-las tão bem. As contas sempre falam mais alto que tudo.

Ano que consolidei bons amigos de Embu, e que espero que fiquem por um bom tempo presentes na minha vida. Amigos a quem sou grata todos os dias. Que eu trouxe, indiretamente, alguém que sabe fazer bem meu papel (até melhor) por lá. Alguém que espero que não desanime e seja mais forte que eu. Deixei amigos-colegas que me ensinaram que hierarquia de trabalho é a maior besteira que alguém já inventou. Hierarquia essa que me faz tanto mal hoje em dia. Amigos que me ensinaram a dar risada e mesmo assim levar o trabalho a sério. Que me ensinaram que o importante é a coletividade e o senso de ajuda ao próximo. Ano em que as conversas com a (ex)chefe firmaram meu caráter.

Ano que a única conversa com a madrinha valeu o ano inteiro. Que felizmente vi meu padrinho muitas vezes, sempre com boas conversas, idéias e conselhos. Que vi mais meus dois amigos mais antigos e nos divertimos bastante, com muitas conversas e muitos jogos. Que reativei amizade com uma distante conhecida dos tempos do colegial, e que vem me ajudando em muitas reflexões. Que revi alguns da faculdade, sempre com a mesma bebedeira e alegria de sempre.

Ano que finalmente tirei boas férias, e finalmente saí do país. Que fiquei de boa em Recife, com praia e camarão à vontade.  Que consegui me desligar e pude descansar, mesmo com o trampo paralelo correndo à vontade.

Ano em que decidi mergulhar no futuro mestrado, mas que vi o falecimento da minha futura orientadora. Coisa que não pude pensar até hoje em como assimilar [e toda vez que penso me traz uma grande dor].

Ano de muito movimento, mas que pra mim ainda não acabou. Enquanto não me firmar novamente, o ano vai escoando...quem sabe, em abril, no meu ano novo particular, tenha melhores notícias!

domingo, 27 de novembro de 2011

Risadas, sempre

A sexta-feira foi de cerveja na Vila Madalena.
O domingo foi de torta no Campo Limpo.
[O sábado foi de uma das piores ressacas que já tive].

Dois grupos totalmente distintos.

O de sexta reuniu amigos de longa data e recentes. A maioria existente por causa do movimento estudantil, dos encontros e conselhos (como bem lembrado num dos brindes, só estávamos todos lá, bebendo, rindo, falando besteira, por causa da FeNEA). Outros, por conta da intervenção urbana nas cidades.

O de domingo reuniu ex-colegas de trabalho, mulheres que se animam com as minhas risadas e que adoram contar as fofocas do meu ex-trabalho. Dessa vez, com pouca bebida (somente 6 latas, de minha parte) e muita comida, como era de se esperar (são as melhores cozinheiras que já conheci).

Mesmo sendo grupos distintos, muitas coisas em comum. O desânimo do futuro, a alegria das histórias distantes, a incerteza da vida. De um jeito tão pontual que acho que, com mais um pouco de conversa em ambos os grupos, teríamos resolvido os problemas do mundo. Tendo somente a nós mesmos como fiadores de idéias que seriam geniais.

Mas, assim como em tudo, a urgência da vida é maior. A solução existe, mas a vida suga muito mais do que simples conversas. E assim passamos os dias somente conjecturando, nunca tendo tempo, disposição, ânimo e apoio para mudanças.

Independente do aparente gosto amargo que esse texto produz, é bom contar com amigos. É bom ter como escapar de tudo e poder se permitir dar risadas com quem se merece. E fico feliz de poder ter essa chance. E vejo a importância da risada na vida. Porque, mais que os problemas, a risada foi a coisa mais comum e mais presente nesse fim de semana.


sábado, 19 de novembro de 2011

À espera...

Finalmente me entendi e entendi minha vida nesse período de mudanças.
Eu acho. Mas estou mais tranquila.

No mercado tradicional de Arquitetura, existem subclasses para nos definir, e definir o que somos e o que faremos. Pelo que entendi até agora, há os seniores e o juniores. E o arquiteto que dá nome ao escritório, que vou chamar de master, para manter a escala hierárquica.

Os juniores são arquitetos formados a menos de 5 anos. São arquitetos que denotam pouca experiência pelo pouco tempo de formado. Os seniores são os que estão formados a mais tempo, e denotam grande experiência. Eu, no caso, sou uma arquiteta-júnior. Meu novo chefe, obviamente, um senior.

O que me dá um grande nó na cabeça, além do fato de não aceitar esse tipo de hierarquia [nem nenhum outro - meu lado anarquista está sempre me pondo à prova], é que nesse mundo arquitetônico, pelo menos, não se conhece a palavra "diferente" - do ponto de vista do trabalho. Por exemplo, eu tenho certeza de que tenho mais experiência com obras e projetos em favelas do que meu novo chefe, mesmo tendo quase 3 anos de formada, contra 27 dele. E eu tenho certeza de que ele sabe mais de organização do trabalho do que eu. Mas, não basta saber coisas distintas e, com isso, haver uma construção coletiva de um projeto. O que basta é o tempo de formação e a submissão a uma hierarquia imposta, pronta desde o começo dos tempos.

Mas, enfim, entendi que não vou ter mais a correria de antes. Se em Embu eu tava acostumada a fazer 15 coisas diferentes ao mesmo tempo, a trabalhar em sábados e feriados, a fazer hora extra por gosto sem ganhar nada, agora estou me acostumando a idéia de fazer uma coisa por vez, a trabalhar 8 horas por dia, a fazer coisas que até agora não me acrescentaram em nada, a esperar o chefe dar algum trabalho, nem que seja para imprimir 236 páginas de planilhas - porque eu sou junior, e minha função é também ser estagiária.

Espero, todo dia, pelo momento de finalmente começar um projeto, ou de desenhar algo de útil no CAD. E é essa espera que me detona, porque eu não sou pessoa de ficar parada. Mas, por outro lado, está sendo o dinheiro mais fácil que já ganhei na vida.

Então, entendi que a lição que estou aprendendo no momento é a paciência - e isso, de fato, é um grande aprendizado. Entendi que, no momento, estou descansando depois de um período turbulento, o que é ótimo também. Entendi que é hora de botar tudo nos eixos e programar melhor a vida.

Desde que vim pro novo trabalho sabia que ia retroceder. Sabia que seria uma vida absolutamente mais tranquila. Sabia que eu poderia emburrecer mais. Sabia que podia me arrepender. E, por saber de tudo isso é que tá na hora de botar velhos planos em prática. Mestrado, cineclube, desenhos...é hora de retomar um pouco da vida boa que já tinha em mente. Só o arrependimento, que nunca veio. Reforçando o escrito passado, não tenho vontade de voltar pra Embu [apesar de sentir falta dos amigos de lá - o que é natural em qualquer saída de qualquer lugar em que se viva intensamente].

Quando o trabalho estiver de fato bom, escrevo algo mais animado. Por enquanto, sobram dúvidas e um gosto amargo de submissão. Eu estava muito acostumada a ter liberdade e responsabilidade...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Último dia da boa e velha vida

Último dia, por ora.
Não que não pretenda voltar. Mas não faz parte mais da minha rotina, definitivamente.
Fiz bons amigos por lá. Eu, que sou tímida, antissocial e não sei falar, fiz amigos.
E hoje, no último dia, demos boas risadas. Como nos tempos que eu trabalhava feliz e contente por lá.
Hoje eu apareci e resolvi atrapalhar o trabalho de quem me importava.
Almocei com amigos que me parecem conhecidos de longa data. Conseguimos ir a um restaurante muito bom porque "seria a última tentativa para que nós quatro almoçássemos num lugar legal".
Ri muito das conversas. Besteiras e coisas sérias. Como se estivéssemos num bar tomando cerveja numa noite agradável. [E quem me conhece sabe o quão sagrado é pra mim tomar cerveja com amigos num bar].
Me diverti sabendo que, por mais que tenha valorizado cada momento com eles, é o que mais sinto falta hoje em dia. E sei que não vou ter mais isso na vida.
Igualmente, fiquei feliz de ver outros amigos, de outra sala, dizendo que "não iam mais ao Galpão porque eu não estava lá para dar risada".
Não sabia que tinha algum tipo de presença marcante para alguém. Mas hoje soube que, pelo menos uma ala me considerava, de alguma forma.
Eu não chorei quando estive lá. Nem quando me despedi de vez de todos. Não senti nenhuma vontade de voltar, embora saiba que tenha feito estragos com minha ausência na força de trabalho. Um dia, espero que compreendam minha posição.
Mas, escrevendo tudo isso agora, fica difícil segurar as lágrimas.
Porque fiz bons amigos, porque aproveitei cada segundo, porque não me arrependo de nada. Mas a saudade já começa a doer.
Aprendi muito lá. De cada amigo levo algo.
E tomara que sempre seja assim, enquanto houver honestidade nas relações.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mas

Eu minto quando digo que quero sair de Embu. Eu minto quando digo que é melhor sair de lá e ir pra outro lugar. Eu minto, quando percebo que minha ironia é tanta que esconde a realidade: meu nervosismo, meu medo, meu fracasso.

O que eu queria era sobrar sozinha, ou com mais gente competente ao meu lado. Pessoas que me ensinam, que possam me ensinar muito mais. E que eu, na minha modéstia, possa passar um pouco do que sei a quem merece. A quem me ouve, mesmo nos meu murmúrios, lamentos e frases rápidas.

Mas, isso nunca vai acontecer. Eu nunca vou concordar com imposições ridículas, mas também nunca vou conseguir mudar mentalidades banais. Quiçá mentalidades inteligentes. Aliás, porque mudar as pessoas? Aliás, porque aceitá-las tão frivolamente?

Descobri onde eu pertenço. Descobri a quem trabalhar. Não sei se daria certo em algum outro lugar. Mas, descobri também, que não pertenço a lugar sujo. Não pertenço a administrações sujas.

Acho que é hora de ter iniciativa e colocar algo de bom em prática. Sem governos, sem hierarquia. Apenas com pessoas compromissadas ao lado.

Mas, também acho que isso nunca vai acontecer.

Mas, sou teimosa e burra o suficiente para tentar.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Confiança e decepção

Eu participei da FeNEA ativamente por 3 anos: de setembro de 2006 a agosto de 2009. A primeira coisa que aprendi foi a ter confiança. Não sei precisar porque.

A gente dormia todos juntos, em colchonetes, em salas de aula, em sítios, em casas de amigos. Quando entrei, alguns já se conheciam há um tempo, outros, a poucos Conselhos atrás. Mas, em geral, éramos todos desconhecidos. O que não parecia, porque depois de um Conselho, todos pareciam amigos para sempre, até alguém desaparecer dessa vida, seja por causa dos estudos, da família de sangue, da vida lá fora. Aos que persistiam nessa vida de estudante-militante-apaixonado sem rumo, uma família era formada. Para alguns em especial, a amizade dura bem até hoje.

Na época, eu morava em Campinas. Havia, regionalmente, um Conselho a cada 3 meses. Depois que fui no primeiro, não é forçoso dizer que mal via a hora de ir ao próximo. Porque me apaixonei por isso tudo. Pelas discussões, pelas pessoas. O que é, de fato, algo difícil para eu reconhecer. Gostava muito mais de encontrar esses amigos militantes do que minha família de sangue. Embora me conhecessem há pouco tempo, eles faziam a diferença na minha vida. Logo, entendi quando alguns chamavam outras de mãe e outros de pai. E, logo, entendi a confiança que pairava no ar. Coisa que não se explica nem hoje, há um tempo fora desse mundo.

E, com a confiança – que se resume em confiança nas pessoas, nas decisões, nas ações – vinha junto a ética. Éramos todos éticos, modéstia a parte. Claro, alguns tinham uma visão muito diferente dos outros, e tomavam decisões desastrosas. Mas, não via nisso um desvio de ética. Não vou saber explicar porque, mas no meu coração sabia que não existia nada errado, apenas diferente. A essência da Federação continuava presente em todos.

Com isso, achava que os dinossauros da época eram todos confiáveis, porque todos passaram por esta experiência e duraram bem mais que 2 ou 3 Conselhos. Quando conhecia algum das antigas, eu já sabia seu passado, mesmo sem conhecer pessoalmente até então.

Eu pensava assim até hoje. Nem todos que tiveram a mesma experiência, passaram tanto tempo dentro da casinha, tiveram a mesma percepção que eu e mais outros que duraram tanto quanto. Talvez eu sempre estivesse errada nesse lance de ética, mas com certeza sempre estive errada na percepção igual a todos. Com alguma certeza, sei que tem gente que entrou nesse mundo paralelo para se dar bem no que houvesse. Disputa clara de poder. Hierarquia, patriarcado, tinha gente preocupada com essas coisas mesquinhas mas que, infelizmente, fazem sentido para alguns.

Não sei precisar o que alguém que passou tanto tempo na Federação vê na disputa de poder, em ser anti-ético, em desprezar opiniões, agora no mundo profissional. Porque, pra mim, não faz sentido quem passou pela casinha ser algo que nunca demos bola e nunca incentivamos. Pelo contrário: provávamos que com ética e confiança irrestrita as ações davam certo (ou, na maioria da vezes).

Enfim, o longo texto é só pra extravasar mais uma decepção. Espero não ter mais envolvendo as pessoas da casinha que conheci a um tempo atrás. Ou, então, espero estar mais atenta e menos romântica. O mundo aqui fora, de fato, é muito mais real que se imagina.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Primeira reunião

Hoje me lembrei da primeira reunião que tive numa das comunidades que trabalhamos em Embu.

Eu era novata no trampo, devia ser a terceira semana de trabalho. Isso foi em julho de 2009.

Depois de ouvir, numa reunião geral, que deveríamos fazer uma reunião no Valo Verde por causa de algum relatório que a Caixa pedia, a idéia ficou no ar. Minha chefe ia sair de férias, eu mal tinha tempo de entender onde ficava tais lugares que fazíamos intervenção, e ainda por cima tinha de me apressar para fazer dois orçamentos de duas obras que não fazia idéia nenhuma.

Ficava enfurnada com o computador o dia inteiro, o que me fez levar minha primeira de inúmeras broncas da chefe (algo do tipo: "Leila, quando é que você vai falar comigo? Eu nem conheço tua letra!).

Enfim, um belo dia às quatro da tarde a atual assistente social me "intima" a ir na reunião que ela marcou no Valo Verde, de um pessoal que já tinha recebido a casa em 2008. A reunião seria à noite, eu tava empolgada com o trampo e disse que tudo bem. Às cinco horas vejo ela indo embora, e ninguém ficando pra ir na reunião comigo. Ainda recebi bronca porque não tinha combinado com ninguém pra ir (porque eu precisava pelo menos de um motorista - não sei dirigir). Acho que foi ela que ligou pra antiga assistente social, que tinha saído a pouco tempo do escritório e trabalhava em outra prefeitura, mas tenho mais certeza de que foi a orientadora social da época (que também já saiu do escritório), que no fim aceitou ir comigo. As duas.

Bom, eu não sabia onde era, não tinha marcado a reunião, não sabia quem eram as pessoas, nunca tinha tocado reunião em comunidades, era novata no trampo e de profissão, os mais velhos de escritório tinham jogado a bomba na minha mão, e eu não sou assistente social. Pra mim, seria um desafio, e abracei de corpo e alma.

Fomos no carro da antiga assistente social, e chegamos na casa de uma das moradoras. Nunca "apanhei" tanto na vida, porque obviamente eu não sabia de nada. Dos problemas e das promessas. As duas do Social me ajudaram muito. Me apresentaram, disseram que sou novata, consegui resolver alguns problemas, e outros deixei pra pensar depois. Acho que me saí muito bem, modéstia à parte, para quem nem sabia onde estava.

A moradora que cedeu a casa se tornou uma boa companheira de conversa durante as visitas que faço à obra. Me dá café, me conta da vida, me ajuda ao contar das inúmeras histórias do Valo Verde. E eu ajudo no que posso, em questões técnicas de Arquitetura.

Quando minha chefe voltou das férias, ela recebeu uma ligação da moradora acima, dizendo que tinha alguém da prefeitura querendo derrubar o muro dela, e que eu tinha autorizado a fazer, com algumas modificações que fizemos nessa mesma reunião. Quando ouvi a chefe dizer "-Se a Leila falou, tá valendo, é como se eu estivesse na reunião e autorizado também.", senti o peso da responsa e orgulho de ter alguma confiança sobre mim.

Mas o caso é que me lembrei da assistente social que me ajudou e me apoiou na minha primeira reunião na favela à noite por causa de uma conversa com a chefe, hoje à noite.

E me lembro dos detalhes acima como se tivesse acontecido ontem. Me marcaram bastante.
E me lembrei porque tá foda aguentar muita coisa. Lembrar esses tipos de coisa me fazem ficar mais tranquila e ver algum sentido nessa vida embuense.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mais um ano

Diminuí consideravelmente a quantidade de palavras por aqui.
Por falta de tempo, falta de assunto, falta de vontade.
Mas os pensamentos continuam fortes, pesados e confusos. Pra variar.

Mas acho que, agora, pós-aniversário, a vida vai tomar um rumo e um sentido, e ficar menos "ao deus dará".

Aniversário, aliás, que consegui reunir os bons amigos de sempre que estavam por SP, que bebi até fechar os bares do centro. Que teve boas conversas, um bom clima e bons pensamentos. Que teve bom abraço da arquiteta e Red Label do arquiteto, confiáveis amigos que Embu me trouxe.

E, no dia após a bebedeira do ano, finalmente retomei a história do mestrado, que parece que vai virar um projeto temático, algo maior do que tinha pensado. Com a ajuda de uma grande pessoa que vai me guiar no fantástico e obscuro mundo do mestrado na USP.

Fora o trampo em Embu, em Taboão, com os sócios da faculdade, o possível mestrado e os bares semanais, a vida continua bem. Só falta paciência para acabar com os momentos baixos ou, pelo menos, tirar uma lição melhor deles.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Criatividade e ideologia

Eu não sou dessas arquitetas que são criativas. Não gosto de projetar e, quando tenho de fazer isso, saem umas coisas bem simples, tranquilas e úteis. Mas não criativas. Chego a pensar que até um engenheiro faria melhor.

Nunca fui de ficar viajando numa idéia, propor soluções de impacto. Sei solucionar o espaço, e isso me basta. Ainda mais agora, sabendo da qualidade da mão-de-obra de nossa construção civil, me limito cada vez mais a fazer o prático, tanto em termos projetuais quanto em estética.

Não fica uma coisa super legal, mas resolve.

Talvez por isso eu tenha me juntado com mais três amigos pra montar um escritório e poder desenvolver mais o lado criativo do meu cérebro. E ainda assim vai ser algo meio falso. Porque a pessoa nasce criativa, não se aprende a ser.

Eu sou mais do tipo de arquiteta que não se incomoda em ser sidekick. Aquele cara que tá do lado do herói, ajudando quando a barra pesa. Assim como na minha vida de modo geral, prefiro muito mais ajudar a consolidar uma idéia boa do que desenvolver algo do zero. E aí eu desenvolvo mais meu lado ideológico do que criativo, porque pra ajudar em alguma idéia eu tenho de lutar por ela, vestir a camisa, mesmo reconhecendo as possíveis falhas. E, por tabela, consigo desenvolver argumentos para a defesa e passar para a sociedade, e estabelecer um diálogo.

Então, juntando à minha timidez característica, ao meu não-gosto de conversar e à minha objetividade de fazer o trabalho rápido e bem feito, é comum eu nunca dar minha opinião durante o processo. Porque, no fim, me relaciono com pessoas muito eloquentes e muito mais inteligentes e experientes que eu. Por tabela, já dizem meus argumentos sem saberem e eu, que não gosto de falar, não preciso falar tudo de novo. Só minha presença no projeto já deveria dizer que eu concordo e bola pra frente. Se eu discordasse de algo, diria alguma coisa e cairia fora. Sem crises.

Sempre foi assim, desde os tempos de movimento estudantil até agora.

No fim, me acostumei a não ter nenhum papel de destaque em nada que eu faça. Nem no trabalho, nem nos projetos paralelos, com meus sócios ou com minhas amigas. O que não é comum são as demais pessoas aceitarem isso. Ficam incomodadas de eu não dar opinião nenhuma, de eu ficar quieta, prestando atenção. Mas é muito normal pra mim ser dessa forma. Gosto de ajudar, de qualquer forma possível, sem me preocupar com créditos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Resumo da vida

Ultimamente, minha vida se resume a:

- Trabalhar até às 19h todo dia útil em Embu. Mais por gosto do que por obrigação (e eu nunca imaginei que pensaria assim).

- Trabalhar com mutirão aos sábados (por enquanto o recorde é de 4 sábados seguidos, e que seriam mais, mas uma hora o corpo não aguenta).

- Estudar sobre Anarquismo, e começando a encarar estudos sobre autogestão.

- Tomar umas brejas de vez em quando, quase nunca.

- Dormir tarde e acordar cedo pra caramba graças à uma "ótima" reunião no escritório no começo do ano.

- Fazer parte de uma das melhores equipes que já trabalhei num trampo paralelo que tem tudo pra ser referência (enquanto damos um tempo no escritório próprio com meu sócios).

- Rever inúmeras fotos antigas e sair publicando por aí.

- Ficar entre o desânimo e o orgulho de muitas coisas que acontece em Embu.

- Cozinhar algumas coisas diferentes e ficando feliz com cada resultado bom.

Resumindo mais: muito trampo, pouca cerveja.
E, pra ficar mais esquisito, achar que isso não é a pior coisa do mundo.
E achar que, no fim, apesar de tudo que anda acontecendo por lá, o trabalho ainda vale bem a pena.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

2010/2011

2010

Ano que me estabeleci de vez no centro de SP.

Que participei de quatro concursos. Sem ganhos materiais, mas com inúmeros imateriais. Concursos que me valeram conhecer melhor pessoas novas incríveis e velhos conhecidos.

Ano em que a Copa me aproximou de colegas de trabalho e de velhos amigos e me valeu bebedeiras homéricas em poucos dias.

Que acompanhei mais de perto a vida dos meus irmãos. Que pude sair com eles com mais frequência que nos anos anteriores.

Que as conversas e a confiança da chefe me valeram muita coisa. Imensurável.
Que as conversas com o colega do trampo me divertiram mais que o normal.
Que metade dos demais colegas de trampo se mostraram totalmente inconfiáveis. Mas que valorizei cada bom senso e profissionalismo da outra metade.

Ano em que os bares e os trabalhos com o padrinho valeram muitos conselhos e muita risada.
É pena que tenha perdido contato com a madrinha.

Ano em que bebi, como sempre. Que tentei parar de fumar.
Que me engajei mais em Embu, mesmo não fazendo muito.

2011

Ano que pretendo implantar de vez o cineclube em Embu.

Que pretendo me manter mais esperta. E trabalhar melhor.

Que pretendo manter os bons laços de amizade com o pessoal de lá. Sem esquecer o pessoal de SP.

Ano que pretendo fazer mestrado. E estudar mais.

Que pretendo ficar mais tranquila e ligar menos para besteiras que só trazem energia ruim.

Ano que pretendo ser mais tolerante.

Que pretendo levar mais a sério o escritório próprio.

E, que venham mais concursos! E, quem sabe, projetos novos.
Que venham mais desafios. Porque agora terei mais paciência.
Que venham mais cervejas e mais amizades.
Que venha mais profissionalismo.

De resto, que venha muita energia boa. Porque de ruim, já bastou esse fim de 2010.

Com a certeza de que o mergulho no mar nos primeiros minutos de 2011 vão me guiar no melhor caminho.

Com a certeza de que aprendi com os erros.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Mutirão

Eu nunca tinha participado de um mutirão. Só visto e lido sobre.

Daí que na primeira reunião com a demanda das obras do Valo Verde, foram os próprios futuros moradores que se ofereceram pra ajudar, mesmo com a gente (mais eu e minha chefe) pensando seriamente em propor isso a eles na reunião.

Foi um tanto espontâneo, e na semana seguinte lá estava eu organizando o primeiro dia de mutirão. Eu, que nunca participei, estava coordenando o que fazer.

E, no dia anterior, lá estava eu nervosa sobre como lidar com isso. Porque no fim eu iria sozinha. Eu e mais um mestre-de-obras novato em mutirão. O que me valeu uma boa conversa com a chefe no dia anterior, me acalmando e passando todas as dicas.

Fiquei a semana inteira pensando, organizando, monitorando a obra pra ver o que o pessoal podia fazer no sábado.

No sábado, eu cheguei 10 minutos atrasada. Todo mundo já tava lá, com tarefas específicas. Homens e mulheres fazendo um pouco de tudo. O mestre soube bem organizar e despachar tarefas sem mim.

Cheguei, passei protetor solar (tava um calor de 30ºC) e comecei a ajudar em tudo. Porque, se era pra fazer parte, tinha de ajudar no trabalho pesado também.

Separamos material, limpamos a obra e levamos o material pra dentro dos tapumes. Tudo isso antes do almoço.

Na volta, concretagem. Trabalho pesado que foi divertido com 12 pessoas. Mas, ainda assim, estava nervosa. Pelo traço do concreto certo, pelo enchimento correto, por assegurar trabalho pra todo mundo. No fim, em duas horas, tudo certo. Acabamos a tempo, pois logo começou a chover forte.

Depois disso, todos prontos pro mutirão do fim de semana que vem, agora com a chefe coordenando enquanto eu resolvia outras coisas em Embu mesmo. Assim que resolvi, parti pra lá pra fazer parte. Passei o resto da manhã desse sábado carregando blocos e ajudando a organizar tudo.

E foi legal perceber que, por mais que a gente programe e organize, os mutirantes tiveram a boa vontade e a garra de fazer de tudo pra ajudar. Levaram o mutirão pra frente sem ter de receber ordens, só aceitando sugestões.

Valeu a pena ficar com o corpo doendo o domingo inteiro, dormir mal de ansiedade, "perder" o sábado trabalhando.

Porque fez a diferença conhecer melhor o pessoal que vai morar lá. Ganhar um "feliz natal" deles, mesmo para alguém que não é católico. Receber o respeito e o reconhecimento deles hoje, quando só passei pra dar um alô e na volta, quando voltei pra ajudar. Conversar de igual pra igual, sabendo mais da vida deles e eles, da minha. Fazer brincadeiras no meio do trampo pesado.

Porque percebi que esse tipo de trabalho me fez esquecer todos os problemas que estão acontecendo comigo. Tipo uma limpeza da alma.

Incrivelmente, deu tudo certo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fim

E hoje teve fim mais um ciclo.
O ciclo das energias ruins, que começou a mais ou menos mais de um mês atrás.

Hoje foi a reunião derradeira, depois de dias de mentiras.
Na qual eu fiquei mais quieta do que falante.
Até porque eu não estava nem aí.
Até porque, é o meu jeito.
Eu estava, na verdade, mais a fim de ouvir as acusações de minha acusadora.
Eu estava, na verdade, a fim de que tudo terminasse logo.
E me deliciei, sem remorsos ou falsos moralismos, com cada deslize dela.
Com cada mentira sendo resolvida de bate-pronto.
Ou nem tanto.
Eu esperava ela falar, e falar.
As demais diretoras me defendiam.
Aliás, não defendiam a mim, pessoa física. Mas como profissional.
E eu me defendia na medida do possível.
Me defendia quando ela parava de falar tanto.
E tinha o respaldo dos demais.
Principalmente em cada deslize dela.
Eu sabia que minha melhor defesa seria o ataque dela.
Porque sabia que ela iria se embananar toda.
E essa foi minha tática, que felizmente deu certo.
Um peixe morre pela boca, como diz o ditado.
Há outro, mais real: Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, dizia que uma mentira dita muitas vezes virava verdade.
E isso quase virou realidade hoje.
A boa notícia é que eu trabalho. E muito. Tô na área pra qualquer coisa, não me importando com salário e horário.
E isso me deu respaldo pra muita coisa. Me deu confiança a quem precisava.
E foi isso que derrubou o ditado.
Que derrubou o senso comum.
Porque, apesar de nova de profissão, de idade e de cidade, eu não estou em Embu pra brincadeira.
Estou pra trabalhar. E pra ser honesta.
E vou morrer sendo o máximo de honesta que conseguir.
Mesmo que isso signifique derrubar alguns tabus.
Mesmo que isso signifique lutar por algo melhor.

No fim, não fiquei exatamente feliz. Porque queria que acabasse de outra forma.
Mas, fico feliz de ter tido um fim.
Mesmo sabendo que isso vai me acarretar muitas consequencias.

Mas, agora mais do que nunca, estou disposta a lutar.
Posso perder batalhas, mas ganho a guerra.
Quando sei que mereço.

E fico, mais do que nunca, feliz de ter a confiança de amigos e de pessoas importantes. De tê-los ao meu lado. Não pelo lado pessoal, mas pelo lado profissional.

Que tudo continue dando certo daqui pra frente!

domingo, 28 de novembro de 2010

Sobre a semana

A semana começou com Paul McCartney. Já falei sobre antes. Mas nunca vou cansar de falar disso.

Seguiu com mais um concurso de projetos. O último do ano. Cujo projeto ainda está rolando nesse exato momento. E que tem me ensinado muito sobre o Rio de Janeiro e, sobretudo, sobre fazer projetos de urbanização de modo relâmpago.

Continuou com as obras do Valo Verde, projeto interminável no Jardim Santo Eduardo, apreensão pela ligação de água, esgoto e energia no Jardim Vazame. Em Embu, a semana terminou com uma boa reunião com os novos moradores, com uma proposta séria de mutirão, com a minha empolgação meio contida, meio apreensiva. Com um almoço às 17h. Com conversas boas com a chefe e com a tiração de sarro habitual do meu arquiteto-amigo de trabalho.

Em São Paulo, a semana continuou com uma festa de uma grande amiga, na sexta à noite. Há tempos não voltava às quatro da manhã, semi bêbada. Há tempos não bebia com os amigos até essa hora.

E a semana terminou com a visita ao mutirão Paulo Freire. O mesmo que fui ver em 2005, na Semana de Arquitetura da UNICAMP. Quando, na época, eu ainda não ligava para movimentos sociais, e muito menos para arquitetura na periferia. E que, surpresamente, virou minha atual paixão arquitetônica. Só hoje, 5 anos depois, dei o real valor à essa obra concluída que fui ver hoje. A obra que vi só na estrutura, hoje completa.

E é essa paixão e seus reflexos que tem consumido boa parte do meu pensamento todo dia, desde o revés pré-feriado de Finados. Aliás, esse revés ainda está na minha cabeça e no meu coração. Acho que sou uma pessoa muito rancorosa. Mas vou tentar deixar isso de lado.

Preciso dar valor e pensar mais nas demais coisas que fazem bem. Que me fazem ser melhor. E parar de guardar rancor.

domingo, 7 de novembro de 2010

De volta

Foi muito bom ter passado um dia em Brasília. Reparei que já passei muitos dias lá [2006, 2007, 2008 e 2010]. Sempre é legal ficar um tempo em Brasília, cidade que apesar do tempo seco, me é fascinante.

Foi muito bom ter visto a beleza da Chapada dos Veadeiros. Que lugar lindo! Cachoeiras maravilhosas, paisagem de tirar o fôlego...calmaria e tranquilidade na medida certa. Foi bom ter feito amizade com dois casais de Goiânia. Me garantiram boas risadas e boas conversas regionalistas!

A volta ainda me preocupava, porque apesar de tudo, a dor continuava um pouco, mesmo que de leve.

Mas foi tudo bem. A cabeça já tá no lugar. A consciência, mais tranquila do que nunca.

Apesar de ser um problema extremamente pequeno [em vista de muitas outras coisas], foi grande pra mim. Mas recebi apoio de muita gente. Mais importante que isso, recebi a compreensão deles. De amigos da vida, de amigos do trampo. Que entenderam que, pequeno ou grande, qualquer arranhão no idealismo dói.

Foi importante ter conversado com o padrinho, com os mestres-de-obra, com a chefe, com o colega arquiteto. Ter recebido apoio do amigo dos tempos de CA, do amigo dos tempos de movimento estudantil. Da irmã.

Mas, a vida continua. Mais desafiadora do que nunca. E bola pra frente!