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domingo, 3 de junho de 2012

Suzano

A uns 4 meses atrás, fui fazer uma reunião com uma amiga de um amigo sobre um projeto de arquitetura na cidade de Suzano. Saí de lá na certeza de que eles não aceitariam minha proposta. A certeza se baseava no irmão estúpido da amiga, que queria que desenhasse o que ele queria, sem nenhum cabimento.

Hoje voltei pra lá, com motivos mais nobres, menos individualistas. Acabei integrando, onde trabalho, mais uma equipe, que desenvolveu o projeto para 144 famílias da associação de moradores de lá. Do jardim Natal, mais especificamente.

Visitamos, de carro, os dois terrenos, ainda livres, ainda com mato - embora um tenha sido limpo recentemente. Coincidentemente, este último está a duas quadras do lugar que visitei a 4 meses atrás. Mas, fomos para lá para acompanhar a assembléia desse mês, onde os 144 se reúnem para falar de pautas específicas a eles. Fomos eu e meu mais novo colega de trampo e de bebidas.

Foi impossível não fazer um paralelo às reuniões que fazia em Embu. E muitas coisas diferem de uma experiência à outra. Quando, em Embu, eu fazia reuniões, agora eu acompanhava e aprendia  afazer intervenções com meu colega.  Em Embu, eram no máximo 19 famílias, agora eram 144. Em Embu, eu imaginava, e incentivava, sempre, ao pessoal se organizarem e serem mais unidos. Em Suzano, eles já estavam agregados, tinham lideranças, sabiam ouvir e respeitar os falantes. Em Embu eu penava para dar respostas de perguntas cada vez mais duras, e muitas vezes a reunião acabava com gosto amargo.

E aí acho que entendi que, por mais estressante que fosse nosso papel no Estado, meu trabalho era relativamente mais fácil. Não sei precisar porquê. Numa assessoria técnica, logo vi que nosso papel seria bem mais dificultoso. Também não sei precisar porquê. Acho que terei a resposta em algumas semanas.

Mas, não foi difícil também imaginar como seria o futuro do Valo Verde, por exemplo, se fossem organizados e unidos como o pessoal do jardim Natal. Teriam algumas boas diferenças. O pessoal com quem me encontrava em Embu eram muito mais aguerridos que esse de Suzano. Talvez a diferença da renda seja uma boa resposta a essa grande diferença: os de Suzano era visivelmente melhores de vida que os de Embu.

Talvez eu tenha me enganado. Mas os de Suzano são mais pacíficos, mais tranquilos, talvez por terem tudo na mão, sempre. São o pessoal mais próximo da "nova classe c" que já conheci nos movimentos de moradia (e, infelizmente, conheço poucos). Não lutaram pelos terrenos, não tiveram casas incendiadas, não moravam em áreas de risco. Por outro lado, eles vão ter de se organizar para construírem suas próprias casas, para fazerem uma auto-gestão funcionar até o fim. Eles são os donos da construção.

Voltei com um misto de apreensão e felicidade. E bem mais pensativa sobre a vida.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre chefes

Eu tive dois empregos que me marcaram muito nessa vida, até agora.

Um foi em Campinas, ainda como estudante de Arquitetura, num escritório que fazia projetos de iluminação. Antes de ir pra lá, eu trabalhei numa assistência técnica a uma grande empresa de luminárias. Fazia projetos pro Brasil inteiro. Um dia me cansei, fiquei de molho um mês em casa, depois fiquei cerca de 3 meses num escritório fajuto de arquitetura, e logo fui chamada por um colega para ajudá-lo no escritório que ele havia recém-aberto. Só trabalhava com iluminação, e como era eu, ele e mais um instalador eletricista, tínhamos isonomia total. Quando o negócio tava dando muito certo, eu fazia alguns projetos e meu "chefe" fazia outros. Tudo era decidido coletivamente, desde o orçamento a ser entregue ao cliente quanto às soluções de projeto. As reuniões com os cliente ficavam a cargo do chefe, com muito mais lábia que eu, e a mim cabia convencer o cliente através da matemática e dos programas específicos. O salário não era típico de estagiário, eu recebia quase que como profissional recém-formado. Me bancava o aluguel e as cervejas, e isso me bastava. Fiquei lá de 2005 a 2008, até me formar e decidir voltar pra São Paulo.

O outro trampo foi mais tarde, em 2009. Funcionária pública da cidade de Embu das Artes, trabalhando diretamente com coordenação de obras - principalmente - e muitas outras coisas secundárias, envolvendo favelas e habitação de interesse social. Fazia de tudo um pouco, mas ainda com a mesma isonomia do trabalho de Campinas, sendo este conquistado com muito trabalho. Foi lá que firmei em mim mesma minhas convicções políticas, foi lá que me desapeguei de muita coisa, foi lá que vivi com o mínimo possível morando de aluguel e ainda pagando minhas cervejas, morando no centro de São Paulo. Ainda era o que bastava à minha vida. Desse emprego já falei muito por aqui.

O que tem de comum nos dois lugares era a confiança dos chefes e a isonomia, cada um fazendo sua parte para o todo, cada um de nós contribuindo no melhor que podiam. De modo que, quando chamo de "chefe" cada um deles, nada mais é que uma maneira irônica de chamá-los, já que de forma alguma eram chefes no modo hierárquico de se resolver a vida profissional. Eram colegas e, antes de tudo, amigos que me ajudavam de toda forma possível. Me ouviam, me davam conselhos, me davam cerveja e me faziam rir e refletir através das inúmeras histórias. Cada um a seu jeito. E que sabiam confiar, delegar tarefas e passar responsabilidade como se fôssemos todos iguais. E éramos. Bons tempos...!

E me coloquei a postar isso hoje porque, depois de 4 anos, revi meu chefe de Campinas, com a banda dele aqui em São Paulo, onde colocamos a conversa em dia, rimos bastante e me bateu uma baita saudade da vida campineira muito tranquila e cheia de responsabilidades, ainda assim.

domingo, 28 de novembro de 2010

Sobre a semana

A semana começou com Paul McCartney. Já falei sobre antes. Mas nunca vou cansar de falar disso.

Seguiu com mais um concurso de projetos. O último do ano. Cujo projeto ainda está rolando nesse exato momento. E que tem me ensinado muito sobre o Rio de Janeiro e, sobretudo, sobre fazer projetos de urbanização de modo relâmpago.

Continuou com as obras do Valo Verde, projeto interminável no Jardim Santo Eduardo, apreensão pela ligação de água, esgoto e energia no Jardim Vazame. Em Embu, a semana terminou com uma boa reunião com os novos moradores, com uma proposta séria de mutirão, com a minha empolgação meio contida, meio apreensiva. Com um almoço às 17h. Com conversas boas com a chefe e com a tiração de sarro habitual do meu arquiteto-amigo de trabalho.

Em São Paulo, a semana continuou com uma festa de uma grande amiga, na sexta à noite. Há tempos não voltava às quatro da manhã, semi bêbada. Há tempos não bebia com os amigos até essa hora.

E a semana terminou com a visita ao mutirão Paulo Freire. O mesmo que fui ver em 2005, na Semana de Arquitetura da UNICAMP. Quando, na época, eu ainda não ligava para movimentos sociais, e muito menos para arquitetura na periferia. E que, surpresamente, virou minha atual paixão arquitetônica. Só hoje, 5 anos depois, dei o real valor à essa obra concluída que fui ver hoje. A obra que vi só na estrutura, hoje completa.

E é essa paixão e seus reflexos que tem consumido boa parte do meu pensamento todo dia, desde o revés pré-feriado de Finados. Aliás, esse revés ainda está na minha cabeça e no meu coração. Acho que sou uma pessoa muito rancorosa. Mas vou tentar deixar isso de lado.

Preciso dar valor e pensar mais nas demais coisas que fazem bem. Que me fazem ser melhor. E parar de guardar rancor.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lazer e Ócio

[Nessas de voltar a pensar seriamente no mestrado, fiquei vendo umas imagens do meu TFG. Um tema não tem absolutamente nada a ver com o outro, mas ainda assim são produções científicas...(aliás, nem o TFG, nem meu atual trampo e nem o tema do mestrado tem a ver entre si). Tá postado, aí embaixo, o texto-resumo do TFG e algumas imagens.]

Espaço de Lazer e Ócio

Este trabalho visa, através da discussão dos problemas relacionados ao lazer, convívio e descanso, propor um projeto arquitetônico e urbanístico que possa atuar de forma positiva nas questões relativas à valorização dos espaços públicos. Assim, é proposto um Espaço de Lazer e Ócio no centro da cidade de Campinas, mais especificamente na Praça Rui Barbosa, localizada atrás da Catedral Metropolitana.

A Rua Treze de Maio é uma das ruas mais movimentadas do centro da cidade de Campinas, onde se encontra o “calçadão”, que compreende uma área entre a Rua Onze de Agosto e a Avenida Francisco Glicério. Apesar de todo o movimento existente nessa região, há poucos lugares para estar, para sentar, para descansar. As pessoas que lá passeiam, trabalham,fazem compras e utilizam seu tempo livre, em geral na hora de almoço, aproveitam os poucos lugares abertos existentes. Não há locais cobertos e prazerosos, somente praças sem infra-estrutura necessária para o estar. O que se vivencia são pessoas sentando nos degraus dos prédios, das lojas, nas muretas, no chão, em qualquer lugar que tenha sombra, transformando os locais de passagem em pequenos momentos de permanência.

Se por um lado percebemos o crescimento do lazer relacionado diretamente ao consumo, por outro lado, devemos ressaltar que não há incentivo ou estímulo para realizações que influenciem positivamente o lazer como momento de convívio e prazer. No local de intervenção deste trabalho é clara a manifestação do lazer de consumo, dado o grande número de lojas de departamentos e do comércio em geral. É importante ressaltar que este trabalho não pretende defender o lazer de consumo, visto que o lazer vinculado à realização de comprar e o lazer pretendido por este trabalho são diferentes, distintos. Questiona-se assim o modo como o lazer é atualmente visto, considerado na maioria das vezes relacionado ao consumo.

Segundo a proposta, a parte relativa ao ócio e convívio terá atividades que visem à contemplação e o estar, sendo localizadas na praça rebaixada, com o restaurante, a área de estar e o palco de shows, definido pelo desenho de piso, sem que haja uma área fechada específica. A parte relativa ao lazer, que será dividida nos dois edifícios interligados à praça, terá as funções de mídias em geral. Um edifício ficará responsável pelas “mídias digitais”, que incluem cinema, internet e midiateca, e o outro edifício terá as aqui chamadas de “mídias impressas” – gibiteca, revistaria e biblioteca.





quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mais um projeto entregue!

Desde o começo do ano tô envolvida em concursos de projeto. O último teria sido o do Museu do Meio Ambiente, com meus sócios, em maio desse ano. Um dia depois de decidir dar um tempo nessa vida, a chefe chama pra um outro, com as sócias dela. Isso já foi falado por aqui, enfim.

Pois bem, hoje terminou de vez, entregamos e ficou lindo!

Mas o mais legal mesmo foram as discussões, as experiências, a dinâmica bem diferente dos meus amigos. Lá estava eu fazendo o papel de aprendiz, perto de tanta coisa que as mulheres já fizeram na vida.

Foi ótimo ter mais essa exepriência. Mesmo deixando tudo pra última hora, mesmo dormindo só duas horas no último dia, finalizando as pranchas das 20h de um dia às 14h do outro dia, passando frio em Taboão às 5 da manhã, vendo o sol raiar e a gente lá, no computador...

Foi ótimo, porque o mundo é muito maior do que o que nossos olhos vêem.
E é muito bom ter sempre essa certeza, em qualquer momento.

Mas, mais concurso, só ano que vem!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mestrado

Voltei a ficar animada com a idéia de fazer um mestrado. Na última vez que pensei sobre isso, em 2008, não tinha pensado tanto, e acabei deixando o projeto de lado. Mas agora, vendo minha chefe estudando, e depois de ler pedaços de uma tese de uma campineira sobre o ensino de tecnologia nas faculdades, voltei a pensar mais firme e mais seriamente sobre isso. Vou ter de relembrar os passos de se fazer um mestrado na USP e tentar, de verdade. Ah, do tema, penso bastante na questão do ensino de Arquitetura e Urbanismo no país. Mas quando tiver algo mais firme e melhor pensado escrevo por aqui sobre. Fica, por enquanto, a animação e as idéias fervilhando!